Vozes da (In)Consciência!

Hamilton Farias de Lima, professor universitário.

                 “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos   na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”, Mahatma Gandhi(1869-1948).

Há pouco tempo, muitos brasileiros nas principais cidades do País, norte a sul, leste a oeste, foram às ruas e praças; fizeram “panelaços”, manifestando em palavras de ordem o inconformismo e apregoando suas reivindicações; nas redes sociais, buscaram a continuidade de suas pregações, num desfile contínuo de apelo às mudanças, em face o quadro sinistro até então existente.

As manifestações brasileiras lembravam á época, mesmo que tardiamente, a “Primavera Árabe” como movimentos semelhantes ocorridos em varias nações mulçumanas, mas, aqui, sem os registros significativos das forças repressivas que marcaram aquelas ocorrências, salvo as indesejáveis presenças de grupos de vândalos, oportunistas, habituados à condutas extremadas e à destruição de bens públicos, como a mídia intensamente divulgou em seus meios  comunicação.

E o que se pode aquilatar, nos dias atuais, dos estados mentais dos brasileiros, em decorrência dos acontecimentos que continuam a permear o dia a dia nacional, e como se percebe a reação de suas (in)consciências ética e morais, ao rememorar suas motivações e inconformidades?

As vozes e os gritos das ruas alcançaram seus propósitos, foram ouvidos e acatados? Quais transformações ocorreram em decorrência das manifestações dos milhões de participantes, quanto aos seus reclamos pelo emprego correto dos recursos públicos, visando desejáveis perspectivas de justiça social e, ainda, o que se afirmar pela cobrança da necessária conduta, ao mesmo tempo criteriosa e transparente, das autoridades em quaisquer de seus níveis de atuação?

Os tempos atuais não têm repetido aquelas ocorrências de apelos reivindicatórios, nem tampouco têm arrefecido, em paralelo, as questões decorrentes da continuada crise político-econômica e social, como se observa na realidade presente. O que se vê e se comenta são os déficits orçamentários, as faltas de recursos para a educação, saúde, para obras infraestruturais, o atendimento à segurança e, de um modo geral, o necessário para se reverter um quadro de milhões de desempregados, à beira da marginalidade social, para um viver com dignidade.

Onde estão as vozes que tanto clamaram, que demonstraram a um só tempo novos desenhos para um Brasil ético e a cultivar a seara da moral, não só para os momentos atuais mas, com ênfase, para o futuro e, aí, sobretudo porque voltado para a juventude e o seu  amanhã ?

E o que estaria ocorrendo é a resultante do desânimo, pelos objetivos até então não alcançados; a omissão (in) consciente no aguardo de novas oportunidades, em face resultados pouco convincentes alcançados pela administração pública que, ainda, se arrasta em busca de performances de maior significância no campo da economia, das reformas sociais as mais diversas.

É a espera que a luz se faça, intensamente, no túnel profundo e escuro onde, ora, se encontra o povo brasileiro!

Estaria, portanto, a mente dos brasileiros acomodada, saturada de tantas ocorrências negativas, e, assim, aguardando a hora do troco, das mais que prováveis transformações representativas nos poderes do Brasil, através das escolhas nas vindouras eleições de 2018, efetuando-se então as mudanças correspondentes, inconsciente ou conscientemente e, quem verdadeiramente saiba, a repetir Geraldo Vandré, nos idos de 1960, quando afirmava: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer…!” (Grifo nosso).

 Então o que se deseja para um futuro de bonanças é bem mais que um ato de fé, é o uso racional da consciência cidadã com as reflexões as mais afirmativas e positivas. O Brasil agradece!

 

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