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Dia 15 acordei com os raios da manhã, o corpo pede para ficar mais um pouquinho, mas a consciência se impõe, fui andando até a Faculdade de Educação, sentindo a sensação de cidadania e pensando como seria a educação dos candidatos, li que Bruno Reis é advogado, cursou o primário na Santa Dorotéia, 2º grau no colégio Nobel, formou em direito na Universidade Católica e Major Denise Santiago se graduou em psicologia na UFBA, onde também cursou mestrado  em Desenvolvimento e Gestão Social.

Na fila da seção, após localizar o e-título no celular, vi uma senhora toda coberta com um plástico dos pés a cabeça, o medo grande de contaminação, e na parede um painel com a cronológia da rica vida do educador Anisio Teixeira. Encontrado morto no poço do elevador em 11 de março de 1971. O prédio onde seu corpo foi encontrado é o mesmo onde mora o acadêmico Aurélio Buarque de Holanda, a quem iria visitar. O caso foi registrado como suspeita de homicídio, mas, não se sabia se se tratava de homicídio ou acidente.

A todo momento o mundo nos lembra como nosso controle sobre tudo é insignificante; um pequeno vírus que causa uma pandemia. Sair por uma porta, inspirar ou amarrar o sapato é arriscar a vida. Você se agacha e uma bala invisível e silenciosa pode passar zunindo a milímetros da sua cabeça, ou talvez ela se aloje na sua garganta. O educador foi levado para sempre e de repente, como Gugu e Domingos Montagner.

Anísio iria almoçar com Aurélio, que dá nome a um dicionário. Faria um trajeto de apenas 600 metros, a partir da Fundação Getúlio Vargas. Muitos o chamavam de comunista por conta de sua dedicação à luta pela extensão de um direito elementar a todos os cidadãos, via a educação como um processo político que impulsiona o exercício pleno da cidadania, o que se assemelha também ao pensamento do ilustre educador Paulo Freire.

Por falar em sua morte, tal assunto é cercado de mistérios: primeiro porque o corpo só foi encontrado algum tempo após o seu desaparecimento. Em segundo lugar, apesar de alguns considerarem que Anísio morreu em um acidente, há quem acredite que o mesmo foi vítima da repressão do governo militar. Defendeu que o ensino deve ser: público, laico, obrigatório e municipalizado, visando atender os diferentes interesses da comunidade sendo que a escola deveria ser fundamental nesse processo, proporcionando aos alunos uma visão democrática de vida.

Anísio buscou outras verdades, além daquela do dia a dia com a queda no fosso do elevador, o bonito viver se transformou em um tapete escuro.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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