Virgin Galactic

 

Abro o celular e tomo conhecimento que um projeto ousado da iniciativa privada levará turistas ao espaço, cada um pagando milhão de reais, para contemplar por seis dias a vida na terra e a própria terra, e para seguir o adágio “o que torna irrealizável um sonho, não é o sonho em si e sim a inércia de quem sonha” é preciso ter bala na agulha.

Antes de morrer realizar uma experiência única, só vivida por um punhado de astronautas, é passar por um túnel de vivência e sair mais ligados em Deus e na fé, como os tripulantes da missão Apolo. Aqui em baixo, no meu cantinho, gosto das chuvas cumpridas.

Dias e dias. A terra alagada.E a gente dentro da Arca, olhando. Tudo agora respira um pouco de tédio e mau humor com tantas mortes; é como se a existência inteira se oculte não se sabe onde, talvez na espaconave Virgin Galactic silenciosa e suspirando e o suspiro se estendendo, até o fim de tanta dor e perdas.

Ah, bem sei, estamos vivendo tempos inquietos e não faz mal que soprem ventos inquietantes sobre a terra desde que já sopram na alma de todos nós, mas a mansa ordem da vida continua: Torneiras com água, padarias com pão, pão com manteiga, açucareiro com açúcar. Que voe o pó; não adianta defesa, ao pó voltaremos, que somos pó, não mais, se cortarmos a correnteza da disciplina, o futuro será imprevisível, já que não estamos protegidos no espaço sideral.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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