Vigilância Sanitária do Estado impede distribuição de ‘kit covid’ em Teixeira e assunto causa polêmica

Comunicado circulou nas redes sociais. Foto: reprodução

Em vídeo divulgado no Facebook, a médica Caroline Martins falou sobre um episódio ocorrido recentemente em Teixeira de Freitas envolvendo a entrega de um “kit covid” na Igreja Batista Memorial.

Segundo a médica, “a iniciativa privada de Teixeira de Freitas, formada por alguns médicos, alguns empresários, instituições, nos mobilizamos para doar à população carente três medicamentos que estão sendo usados no combate da covid, a hidroxicloroquina, ivermectina e o zinco”.

“Kit covid”. Foto: internauta/OSollo

Mas, de acordo ao relato que pode ser visto abaixo, a Vigilância Sanitária do Estado da Bahia esteve na igreja e “tentou ver irregularidades, mas não havia, pois estamos retendo receita, conforme recomendação da Anvisa, tem termo de consentimento assinado pelo paciente”, e prossegue: “Estávamos felizes, mas hoje fomos surpreendidos pela Vigilância do Estado, que autuou e recolheu todos os remédios que nós, da iniciativa privada, havíamos comprado na mão dessas farmácias de manipulação, com a ameaça de interdição, ou seja, se não entregassem, seriam fechadas”.

O pastor presidente da Igreja Batista Memorial, Julio César, também comentou o assunto. Ele classificou o impedimento como “algo difícil de compreender”. “Nossa igreja completa esta semana 20 anos de fundação e nestes 20 anos tem uma marca voltada para ação solidária, sempre de modo apartidário, sem envolvimento político, sempre prezamos pela autonomia das ações da igreja em prol do bem-estar da sociedade”, explicou o pastor.

Para o pastor, “estão querendo cercear uma ação que está sendo liderada por uma equipe médica competente, fruto de doações voluntárias de laboratórios e empresários que querem o bem da população, se não fosse por isso eu não estaria cedendo o espaço físico da igreja”.

Pastor Julio César. Foto: reprodução

E concluiu: “De modo arbitrário, estão querendo cercear algo que já é feito de modo protocolar em várias cidades do país e em muitas clínicas particulares também. Estou triste por uma ação que vai prejudicar o cidadão no fim das contas”.

O secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, criticou a distribuição do que vem sendo chamado de “kit covid” em diversos locais da Bahia, com medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina.

Fábio Vilas-Boas pontuou que não existe comprovação científica da eficácia desses medicamentos no combate ao coronavírus.

“Primeiro, do ponto de vista técnico-científico, não existe qualquer comprovação de eficácia no que tange a hidroxicloroquina/cloroquina em associação ou não a azitromicina, existem evidências negativas, de que é maléfica, portanto, não deve ser prescrita. E do ponto de vista legal, a liberação destas medicações infringe uma RDC da Anvisa que obriga a dispensação mediante apresentação da receita médica, há uma portaria da Anvisa que exige a presença de um farmacêutico na unidade de saúde de dispensação. Além de recolher a receita que o médico tem que prescrever, tem que ter um farmacêutico registrado para carimbar e liberar”, disse Fábio.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Muito bem!
    Não são esses os pentescostais que há tempos fazem campanha disfarçada para os nazimilicianos?
    Estariam agora procurando um jeito para “empurrar” a hidroxicloroquina adquirida e produzida pelo exército por determinação suspeita do presidente genocida?

    O fato de ter sido recolhido o material não significa que a população ficou no prejuízo, pois certamente, se o material for bom ele poderá continuar sendo distribuído pelo SUS.

  2. Questão de Saúde Pública é Pública! A iniciativa privada não pode, a seu bel-prazer, mesmo que sobe a égide da moralidade e da “boa intensão”, sair distribuindo remédio sem que haja uma vinculação/participação/regulação/cumprimento da legislação específica junto ao Governo. Sem contar que já existem uma série de estudos sérios que comprovam que a cloroquina é mais maléfica que benéfica. E sim! Médicos erram, médicos precisam estar alinhados com os conselhos de medicina e instituições que cuidam do tema, justamente para ter uma base científica forte, até pq, estão lidando com vidas humanas. Enfim, acho bacana que se pense em ajudar os que estão em situação de miséria, mas a forma que se ajuda é tão importante quanto a ajuda em si, pq se a forma for equivocada, não importa a intensão, vc vai prejudicar mais que ajudar.

    • Pelo que entendi. São doações para pessoas que consultaram, receberam uma receita e não encontraram os remédios na farmácia popular. Se estão com a receita podem comprar ou “ganhar”.

      • Tem razão Ana Paula. Inclusive, não é verdade que a iniciativa privada está contra a saúde pública. O problema é de qual saúde pública estamos falando. Estamos falando de uma guerra política.
        Não há estudos sérios com uso de cloroquina. Até porque ela deve ser usada na fase inicial e os estudo que existem a utilizam nos últimos dias, quando de fato já não tem mais eficácia. E nem é verdade que ela causa tanto mal assim, causa mal para quem tem um problema x ou y, como qualquer medicamento.
        O problema maior é que ela é barata.
        Se me dissessem que minha mãe estivesse com uma doença séria, mas que nos primeiros dias ela precisava comer quiabo, ela não gostaria e eu chamaria todos de doidos, mas a obrigaria a comer, a não ser que soubesse que ela tinha alergia seria a quiabo.

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