Vida cristã

“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2)

O capítulo 12 divide a carta Aos Romanos. Até o capítulo 11 o apóstolo esclarece sobre nossa condição como pecadora e o que Deus fez por nós. Demonstra como nossa condição nos enfraquece e confunde-nos para a vida, de modo que precisamos de Deus, não deveríamos seguir em frente sem Seu amor e graça. No capítulo 8 Paulo nos diz que Deus pode agir em nossa vida nas mais diversas circunstâncias, para o nosso bem, e que nada pode nos separar do amor de Deus. O pecado nos coloca em risco e Deus é nossa segurança. Diante de tudo isso precisamos responder. E Paulo faz seu apelo, rogando que respondamos escolhendo nos oferecer a Deus como sacrifício vivo. Uma linguagem bem conhecida dos seus leitores, acostumados com cultos que envolviam sacrifícios. Na verdade, não havia culto sem sacrifício, sem algum tipo de oferta. E Paulo então aproveita para definir que o culto verdadeiro, espiritual, “racional” só acontece quando a oferta, o sacrifício, somos nós mesmos.

Na prática, esse sacrifício é o exercício de nossa vontade em submissão à vontade de Deus. É nossa escolha por agradar a Deus, alinhando-nos aos princípios e ética do Reino de Deus. Por isso o apóstolo diz que não devemos nos amoldar, nos acomodar, nos encaixar nos esquemas do mundo. E devemos entender “mundo” não simplesmente como o oposto de “igreja”, mas como  o oposto ao Reino de Deus. Neste sentido, “mundo” pode ser algo que nos habita, pode inclusive ser alguma realidade presente na própria igreja, em nossa prática religiosa, e não apenas aquilo que acontece em nossa sociedade. E pensando nesses termos, o que primeiro devemos evitar é julgar outros, considerando aquilo que, na vida dos outros, nos parece “mundo” ou “mundano”. O chamado de Paulo é para que cada um de nós, pessoalmente, lide com sua vida e ofereça a si mesmo a Deus. Uma oferta que nos leva a profundas transformações pela renovação de nossa  mente, tendo um novo modo de ver e compreender a vida, que vai se definindo por nossa permanente entrega e submissão a Deus.

É nesse processo de vida e fé que amadureceremos para conhecer a Deus, experimentando e comprovando o quanto Sua vontade é boa, agradável e perfeita. Um processo que é  intrinsecamente ligado ao exercício de nossa vontade pessoal, que não pode ter lugar em nossa história se nossa espiritualidade for vivida unicamente em termos religiosos, litúrgicos, e não existenciais. Se não for o que precisa ser: um exercício diário de nossa vontade escolhendo agradar a Deus, ama-lo e amar o próximo, servindo e aprendendo a confiar na graça e misericórdia de Deus. É esse o chamado do apóstolo. Essa é a vida cristã verdadeira, da qual corremos o risco de nos desviar ficando distraídos com nossos movimentos religiosos e eventos litúrgicos. Que não seja assim. Que vivamos como verdadeiros cristãos, corajosamente enfrentando o desafio de escolher, decidir e assim honrar a Deus, que nos fez livres e capazes para isso.

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