Vereador de Ilhéus inscrito no programa Mais Médicos em Conquista desiste de vaga

Cidades ficam a mais de 200 quilômetros de distância uma da outra. Vereador só poderia exercer dois cargos se consegui cumprir as cargas horárias

O vereador do município de Ilhéus, Roland Lavigne, inscrito no programa Mais Médicos para a cidade de Vitória da Conquista, assumiu e renunciou ao cargo em menos de 24 horas. De acordo com a TV Bahia, o vereador só poderia assumir a segunda função caso existisse compatibilidade entre os horários – como médico inscrito no programa, ele deve cumprir carga horária de 40 horas. Já como vereador, ele deve frequentar no mínimo dois terços das sessões ordinárias, o que significaria cinco sessões mensais. O problema é que as cidades ficam a mais de 200 quilômetros de distância uma da outra.

O vereador Roland Lavigne, no entanto, negou as alegações de que ele iria exercer as duas funções através do Facebook. Na rede social, ele relatou que havia se inscrito no programa para Vitória da Conquista porque visitava a cidade frequentemente há três meses para visitar a mãe, que estava internada em um hospital da região.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O vereador também afirmou que iria pedir afastamento da Câmara de Vereadores de Ilhéus assim que assumisse o cargo no outro município, mas que solicitou o desligamento do programa Mais Médicos após constatar que gastaria muito tempo com o deslocamento para atender o posto de saúde na zona rural da cidade.

O salário do vereador Lavigne passa dos dez mil reais. Todos os médicos que assumem o cargo através do programa federal passam a receber também 10 mil. Em nota divulgada pela reportagem da TV Bahia, a prefeitura de Vitória da Conquista informou que a situação foi comunicada ao Ministério da Saúde.

Desistência após palestra

A previsão inicial era de que Salvador receberia 47 profissionais, entre brasileiros e estrangeiros, pelo programa Mais Médicos. Dos 32 que se inscreveram em vagas da capital baiana, ontem só 18, todos baianos, compareceram à Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para assumir seus postos. Dos que foram, cinco desistiram da vaga ainda ontem, depois de assistirem à palestra sobre a situação da saúde pública em Salvador.

“É uma medida eleitoreira para trazer médico de fora sem fazer a revalidação do diploma. Se eu topar, não vou me sentir como um agente transformador da realidade da saúde pública do Brasil, ao contrário, estou legitimando este absurdo”, disse uma das desistentes, Clarissa Oliveira, 27 anos. Ela foi a única do grupo, todo de jovens, que topou se identificar. Negou, assim como os demais desistentes, participar de um boicote ao programa.

“Vi fotos do posto de Castelo Branco, que seria o meu, e quero visitar só para ficar com a consciência limpa de que não fiz pré-julgamento, mas ao que parece lá não tem estrutura nenhuma”, disse.

Ela afirmou que irá hoje ao posto para bater o martelo quanto à desistência. Confrontada com a garantia dada pela SMS de que todas as unidades que receberão profissionais passam ou passarão por reformas até o fim do ano, e possuem equipes completas, com enfermeiros, técnicos e agentes de saúde, ela disparou: “E você acredita nisso?”

Para a SMS, a desistência desses cinco médicos, bem como dos outros 14 que não apareceram, somente será oficializada quando não concluírem o processo de contratação – cujo prazo final é sexta-feira. Três médicos de outros estados, segundo a SMS, entraram em contato para informar que tiveram problemas com o voo.

Os brasileiros devem começar a trabalhar amanhã, depois de resolver os últimos trâmites burocráticos. A previsão é que 144 médicos assumam postos em toda a Bahia e 1.096 no país.

 

 

 

Fonte: Correio

 

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