Vacina para Covid-19 da BioNTech e Pfizer induziu resposta imune ‘robusta’, diz revista

Imunização também está sendo testada no Brasil. Foram divulgados dados das fases 1 e 2, que também não mostraram efeitos colaterais graves nos voluntários

Amostras de sangue de pacientes são vistas em um teste de vacinas contra a Covid-19 na Flórida no dia 7 de agosto. — Foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP

A vacina BNT162b1, uma das candidatas contra a Covid-19 das farmacêuticas BioNTech e Pfizer, induziu uma resposta imune “robusta” e não teve efeitos colaterais graves em voluntários adultos, mostram resultados preliminares publicados nesta quarta-feira (12) na revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo.

Os níveis de anticorpos neutralizantes dos participantes foram de 1,9 a 4,6 vezes maiores do que os de pacientes em recuperação da Covid-19, segundo o estudo. Estes resultados, entretanto, ainda não mostram a eficácia da vacina. Isso será determinado em fase 3 (a última).

Os resultados divulgados são referentes às fases 1 e 2 da pesquisa, que estudam a segurança e começam a determinar a eficácia da vacina. Essas etapas ainda estão em andamento.

A resposta imune dos participantes aumentou conforme a dose aplicada, e também foi maior com uma segunda dose da vacina, de reforço.

A BNT162b1 foi bem tolerada, embora alguns participantes tenham apresentado efeitos colaterais leves a moderados, que aumentaram com o nível da dose, nos sete dias após a vacinação, incluindo dor no local da injeção, fadiga, dor de cabeça, febre e distúrbios do sono, mostra o estudo.

A imunização das farmacêuticas também está sendo testada no Brasil – em São Paulo e na Bahia.

Resultados

Houve 45 participantes nos testes (23 homens e 22 mulheres), com idades entre 18 e 55 anos, divididos em 4 grupos:

Um grupo recebeu uma dose de 10 microgramas (μg) da vacina;
Outro grupo recebeu uma dose de 30 microgramas (μg);
O terceiro recebeu 100 microgramas (μg);
O quarto recebeu um placebo (substância sem a vacina, para servir de grupo controle).

Os participantes que receberam 10 ou 30 microgramas também tomaram uma segunda dose da vacina, de reforço, aplicada 21 dias depois da primeira, o que aumentou a quantidade de anticorpos. Mesmo antes da segunda dose, entretanto, eles já mostravam anticorpos contra o Sars-CoV-2 (o novo coronavírus). Os outros voluntários, das doses maiores, também apresentaram as defesas.

Segundo o estudo, a resposta imune foi muito mais forte no grupo de 30 microgramas do que no grupo de 10 microgramas. No entanto, não houve diferenças notáveis na resposta imune entre os grupos de 30 microgramas e 100 microgramas após uma dose. Por isso, como os participantes que receberam a dose de 100 microgramas também experimentaram efeitos colaterais maiores, eles não receberam uma segunda dose.

Próximas etapas

O estudo também tem adultos com idades entre 65 e 85 anos, mas os resultados ainda não estão disponíveis, segundo os autores. Já as fases posteriores vão dar prioridade à inscrição de populações mais diversas (37 dos 45 participantes desta etapa eram brancos), incluindo pacientes com doenças crônicas (que também correm mais risco de desenvolver quadro grave da Covid-19).

“Apesar de nossa população de adultos saudáveis de 55 anos ou menos ser apropriada para um estudo de fase 1 e 2, não reflete com precisão a população de maior risco para a Covid-19”, ponderam os autores.

Fonte: G1

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