Uma historiografia filosófica em Taurino Araújo

Foto: Reprodução

O historiador Everaldo Goes deu vivas à historiografia do pensador Taurino Araújo, PhD em razão do sucesso de vendas e de crítica da Magnum Opus Hermenêutica da Desigualdade: uma Introdução às Ciências Jurídicas e também Sociais (Del Rey, 2019, 222 p.), cuja primeira edição foi esgotada em apenas 39 dias e está presente nos catálogos da Library of the United Nations Office at Geneva (UN-OG) e do IAI – Ibero-Amerikanische Institut Preußischer Kulturbesitz (Instituto Ibero-americano do Patrimônio Cultural Prussiano de Berlim).

Ali, Taurino reconstrói uma história da civilização ocidental marcada por diversos dualismos: matéria x espírito, secular x sagrado, paixão x razão a exemplo do filósofo alemão Martin Heidegger quando também fundamenta a sua hermenêutica tendo em mira a superação destes diversos dualismos, em busca da essência que dá origem a eles próprios: o ser.

Em investigações deste porte sempre se busca a raiz oculta, a essência de tudo que se manifesta, dos fenômenos, enfim, mas em perspectiva inédita — ao elaborar a sua hermenêutica da desigualdade — o pensador Taurino Araújo vai muito além ao fazer uma admirável interpretação deste fenômeno e de apreender-lhe a essência, ao realizar uma síntese perfeita entre o particular (aquele que sofre a desigualdade) e o universal, o conceito científico de desigualdade em si considerado: só podemos apreender o núcleo da essência, do universal, quando percebemos as particularidades do singular.

Em cada página da Hermenêutica da Desigualdade, sentimos a unidade de um pensamento que se desdobra como sinfonia, sem contradições, sem dualismos, numa harmonia superior, que nos conduz ao pensamento originário, para que possamos escutar o que apela em silêncio: o sentido de cada coisa, o sentido próprio do ser que, articulado, segundo Pedro Lino de Carvalho Jr., constitui em Taurino uma Epistemologia Brasileira. Deste modo, o pensamento de Taurino Araújo nos remete a uma filosofia (ou uma historiografia filosófica) através da qual todos os conceitos são os frutos originários da vida e afirmam a realidade, ao sistemicamente transformá-la.

Por isso, retomo a sua interdependência do todo e das partes quanto à produção deste sentidos considerados relevantes para os diversificados auditórios do governo, negócios, direito, educação, saúde e terceiro setor — disse Manuela Motta — ao arrematar que esta hermenêutica desigualdade é considerada por Nelson Cerqueira um monumento extremamente inovador au-delà de Sócrates, Platão e Aristóteles, talvez em razão de uma genial sacada: em Taurino Araújo, a intuição ou “pressentimento” do todo (Jean Grondin) espetacularmente ocorre sem prejuízo da concepção do particular que, aqui, coincidirá com o próprio desigual.

Texto originalmente publicado no JORNAL A TARDE, 17 DE SETEMBRO DE 2020

Comente!

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui