Um campus para três Estados

A presença da Universidade Federal do Sul da Bahia em Teixeira de Freitas, com campus ali já definido, além dos demais em Porto Seguro e Itabuna – temática já apreciada neste espaço – merece uma reflexão mais aprofundada dado o contexto identitário territorial existente do Extremo Sul da Bahia com os estados vizinhos do Espírito Santo e de Minas Gerais, intercambiando atividades variadas, ora de cunho cultural, político, econômico ou social.

A década de 80 do século passado assiste a emancipação política de Teixeira de Freitas, desmembrando-se de Alcobaças e de Caravelas e passando – em 25 anos – à condição de centro irradiador das atividades econômicas de parte da Região do Extremo Sul.

Os fundamentos econômicos – dentre outros – que levaram a tanto estão representados por sua agropecuária pujante, a presença da rodovia BR-101 que interligou o Extremo Sul á realidade política-econômica-social baiana, ao Espírito Santo, Minas Gerais, e outras unidades federativas brasileiras, garantindo o escoamento da produção, livre comércio e, em conseqüência, a expansão dinâmica regional à conta de um empresariado empreendedor que soube avaliar as potencialidades ali existentes, instalar-se e produzir com sucesso.

É importante assinalar que o estado do Espírito Santo – vizinho a 70 km de Teixeira de Freitas – apresenta as microrregiões de Montanha (compreendendo os municípios de Pinheiros, Pedro Canário, Porto Belo, Mucurici e Montanha) e de São Mateus (com os municípios de Conceição da Barra, Jaguaré, Pedro Canário e São Mateus) limitando-se com o Extremo Sul da Bahia pelo litoral norte espírito-santense, apresentando uma população superior a 226.000, segundo o IBGE, em 2006.

Em relação á Minas Gerais, é digno de nota as interfaces com a microrregião de Nanuque, com população além de 116.000 habitantes, despontando aí, por sua proximidade, o próprio município de Nanuque, Serra dos Aimorés, Carlos Chagas, Machacalis, dentre outros.

Num somatório das regiões capixabas e mineiras circunvizinhas ao Extremo Sul da Bahia, observa-se a presença de variadas comunidades lindeiras, cuja população ultrapassa a casa dos 342.000 habitantes as quais, somadas aos mais de 750.00 habitantes do Extremo Sul, vão além de 1.000.000 de pessoas que, historicamente, convivem de forma laboriosa e progressista.

Numa isenta análise, percebe-se uma identidade territorial geográfica – que contempla a sub-região de Teixeira de Freitas, parte de Minas e do Espírito Santo a um mesmo contexto – e isto se revela, por outro lado, no campo educacional quando se assiste as presenças de instituições voltadas para o ensino superior, na área em comento, seja da Uneb ou de organizações privadas, que atendem a uma variada clientela regional oriunda dos municípios próximos ao pólo Teixeira de Freitas, seja dos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais.

Isto se afigura, no mínimo, como perspectiva diferenciada numa complexidade intraestadual – supõe-se – não devidamente mensurada, e que deve ser, cuidadosamente, avaliada na perspectiva de ser considerada exatamente a mais nova instituição federal de ensino superior da Bahia, requerendo portanto aprofundadas análises para sua implantação.

Objetivamente servindo a três Estados da federação brasileira – reconhecidamente a Ufesba como iniciativa louvável de política de formação cidadã –, ainda com essas regiões carentes de ofertas diversificadas em termos de formação profissional, há que se pensar a dimensão do campus a ser implementado em Teixeira de Freitas, como instrumento dos interesses não apenas da Bahia mas, igualmente, do Espírito Santo e de Minas Gerais e do desenvolvimento intra-estadual aguardado.

Em artigo anterior, analisando-se o advento da Ufesba, neste mesmo espaço, já foi afirmado “Na sub-região de Teixeira de Freitas há demandas para ofertas do ensino superior em, praticamente, todas as áreas do saber humano, principalmente em saúde (medicina, enfermagem, fonoaudiologia, fisioterapia, enfermagem, etc.); exatas (matemática, física, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia sanitária, engenharia ambiental, florestal), ciências agrárias (agronomia, zootecnia, medicina veterinária etc.); humanas (administração e contábeis); e jurídicas (direito), além de outras como as licenciaturas voltadas para o ensino”.

E mais “Note-se que são indispensáveis à sua dimensão territorial no contexto Político, Econômico e Social do Estado da Bahia e dos vizinhos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais, por vizinhança e afinidades econômicas e culturais, e nos anseios principais do seu povo, quando a perspectiva governamental, com a criação da universidade, é a de integrar as regiões num plano igualitário de desenvolvimento, portanto qualidade e bem-estar das comunidades envolvidas.” (grifo nosso).

Há que se perguntar, em consequencia, aos lideres políticos, empresariais, aos interessados pelo desenvolvimento das comunidades, a alunos e mestres, aos comunicadores que conduzem diferentes mídias, e a tanto outros membros sociais, o que pensam e o que irão fazer, em face questão tão relevante ou seja a dimensão da Ufesba em Teixeira de Freitas ?

Com a mais absoluta certeza, sentado à beira do caminho de forma contemplativa não equaciona, não contribui positivamente… não é a solução! Cabe aqui, como luva, e reflexão a ser feita, o pensamento ruiano supra epigrafado “Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado” (grifo nosso).

Nessa vertente que interessa a tantos, com uma juventude ansiosa por ofertas quanti/qualitativas de ensino superior, a instalação da Reitoria da Universidade do Sul da Bahia em Teixeira de Freitas passa a ser uma escolha técnica, num quadro político de dimensão intra-estadual Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo e não – apenas – de um campus, requerendo algo mais a impactar o desenvolvimento do Extremo Sul e integrando-o como centro vocacionado a se constituir, em breve futuro e pelo seu potencial, em espaço de desenvolvimento social aliado á qualidade de vida dos seus habitantes e da complexa regionalidade aqui analisada.

 

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