Um alerta para nós!

“Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele.” (Lucas 10.33-34)

Jesus termina de forma surpreendente a parábola que iria esclarecer ao perito da Lei sobre como praticar o maior mandamento. A nós ela esclarece sobre o que dá sentido à nossa fé. Nós que, 21 séculos depois dessa conversa de Jesus com o religioso judeu, sofisticamos. A igreja tornou-se instituição e passou a definir-se por um endereço, uma placa e um ou mais pastores e os membros. Perdemos de vista que “igreja” significa “ajuntamento de pessoas, assembleia”. Distanciamo-nos tanto disso que achamos estranho tratar a igreja como comunidade, sendo que é exatamente o que a igreja é: uma comunidade. Pessoas vivendo uma vida comum, unida. Passamos a valorizar mais o lugar em que nos reunimos do que nós mesmos e, de várias formas, mais as normas, regras e a defesa do que achamos ser o certo do que o amor como alvo supremo da vida. Mas voltemos à parábola. Estava dizendo que Jesus a terminou de forma surpreendente. O herói é um personagem inesperado: um samaritano.

Imagino o estranhamento do perito da Lei. Samaritanos não eram referência para bons exemplos. Por que Jesus fez isso? Cogito que o fez para ajudar aquele homem a perceber que o relacionamento com Deus jamais poderá definir-se por ritos, normas ou costumes. Ele se define pelo modo como nos relacionamos uns com os outros. Pelo modo como tratamos as pessoas! Claro, sempre foi isso! Afinal, igreja são pessoas e não prédios ou programas. Vemos o mal agindo em tanta coisa e nos descuidamos do caráter sutil do mal e sua estratégia de nos desviar do rumo enquanto nos faz pensar que estamos no caminho. Que nos faz malvados enquanto nos faz pensar que estamos sendo zelosamente santos! Então Jesus toma um personagem tido como indigno e dá a ele o papel de agir exatamente como o melhor dos cumpridores da vontade de Deus. Essa parábola ainda é tão necessária!

Ainda acontece em meio a nós o mesmo que caracterizava aquele perito da Lei. Aprendemos a ser religiosos quando deveríamos nos dedicar a aprender em como viver a fé do Senhor que é Servo e veio para salvar e não condenar as pessoas. Seria de se esperar que nossa religiosidade apoiasse nosso cristianismo e acabamos nos iludindo com ela, pensando que é isso que ela faz, mas ao que acontece, de fato, é que ela facilmente transforma-se num obstáculo, pois nos dificulta o amor. Queremos qualificar o amor usando nossas regras e normas, sendo incapazes de julgar nossas regras e normas por meio do amor. O sacerdote e o levita passaram pelo outro lado e nossa religiosidade nos tem levado a fazer o mesmo. E passamos cheios de justificativas e boas razões, sentindo-nos puros e melhores. Enquanto isso, “samaritanos” estão à nossa frente, sendo exemplos que deveríamos seguir. Que o Espírito Santo nos ajude. Que nosso coração se amoleça. Que o amor prevaleça!

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