Trabalhador

Trabalhador

E então, após esses breves momentos de glamour neste dia primeiro de maio, o operário se vê num assento comum de um velho e decrépito cinema, dando goles de Diet Coke num copo de plástico molhado, e salgando os dedos numa pipoca quente, pensando talvez que é o lugar de honra por ser trabalhador, feliz em seu cerco de cegueira, como o gênio Chico Buarque canta: “Subiu a construção como se fosse máquina. Ergueu no patamar quatro paredes sólidas tijolo com tijolo num desenho mágico. Seus olhos embotados de cimento e lágrima”.

Há certa uniformidade monótona no destino do trabalhador. Sua existência se desenvolve segundo leis da exploração do capital. Os sonhos nunca se realizam, compreendem que as alegrias maiores de sua vida estão fora da realidade da abundância.

Van Gogh tem uma tela “Os comedores de batata”  que ilustra a hora do jantar de um operário. Na parede da sala tem um relógio e uma imagem religiosa existindo uma família, a mesa composta por homens e mulheres que trabalhavam na terra. As mãos (fortes, ossudas) e os rostos (cansados, calejados pelo esforço). O que está no centro da mesa – o jantar – são batatas (daí o nome da tela).

Todo o quadro é pintado com o tom da cor da terra e sem abundância. Faço perícias na justiça do trabalho e só vejo luta para o trabalhador, onde não existe um futuro fácil e feliz, rico de desejos satisfeitos.

 

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