Ministro da saúde visita o Estado

Foto ilustrativa
Ministro da Saúde esteve em Sergipe, Piauí e Ceará, e segue para Pernambuco. Mais cinco estados serão visitados nas próximas semanas. Objetivo é mobilizar gestores, profissionais de saúde e veículos de comunicação no enfrentamento da doença

O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, esteve nesta quinta-feira (18) no estado da Bahia, em continuidade à ação de mobilização que inclui o percurso dos dez estados com maior risco de enfrentar epidemia de dengue no verão 2010/2011. Ele veio a Salvador para mobilizar gestores e profissionais de saúde e veículos de comunicação no enfrentamento da doença. O ministro já esteve em Sergipe, Piauí e Ceará. Da capital baiana, ele segue para Pernambuco. Nas próximas semanas, o ministro visitará Amazonas, Amapá, Maranhão, Paraíba e Rio de Janeiro.

O Nordeste é região que apresenta o maior número de Estados com alto risco de dengue no país. “O Nordeste, de forma geral, tem dois problemas que contribuem com a proliferação da dengue: a coleta de lixo e o abastecimento de água. A irregularidade desses dois serviços contribui para manter criadouros permanentes do mosquito. Este é o momento em que o esforço deve ser redobrado e os prefeitos devem organizar mutirões de limpeza em suas cidades”, conclamou o ministro. José Temporão destaca, porém, que a tarefa de combate à proliferação do mosquito transmissor da dengue é responsabilidade de todos, não apenas dos governos. “As pessoas não podem esquecer que dengue é uma doença que mata. Não é uma doença simples: mata criança, mata adulto e mata idoso”, alertou o ministro.

RISCO DENGUE – Os estados foram identificados por uma nova ferramenta que avalia o risco de epidemias, o Risco Dengue. Lançada em 1º de setembro de 2010 pelo Ministério da Saúde e pelos Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais (CONASS) e Municipais (CONASEMS), a nova ferramenta combina cinco critérios: incidência de casos nos anos anteriores, índices de infestação pelo mosquito transmissor, tipos de vírus da dengue em circulação, densidade populacional e cobertura de abastecimento de água e coleta de lixo. Ela reforça o caráter intersetorial do controle da dengue e permite aos gestores locais de Saúde intensificar e antecipar as diversas ações de prevenção nas áreas de maior risco.

“As pesquisas revelam que 96% das pessoas sabem quais os sintomas da doença e o que fazer para eliminar criadouros do Aedes aegypti dentro de suas casas. Mas a mudança de comportamento ainda é um desafio”, destacou o ministro José Gomes Temporão. “Nessa lógica, ganham força duas mensagens fundamentais: que os governos e os cidadãos devem fazer, juntos, a sua parte e que a eliminação de criadouros deve ser algo rotineiro”.

INFESTAÇÃO PELO AEDES – No último dia 11 de novembro, uma nova avaliação nacional das informações sobre infestação por larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, revelou que 16 municípios estão em risco de surto da doença no Brasil. São 12 no Nordeste, três no Norte (incluindo as capitais Rio Branco e Porto Velho) e um no Sudeste (veja abaixo). Isso significa que, nessas cidades, mais de 3,9% dos imóveis pesquisados apresentam larvas do mosquito.

Outros 123 municípios, dos quais 11 capitais, estão em situação de alerta (veja abaixo). Neles, entre 1% e 3,9% dos imóveis analisados registram infestação. E 164 cidades apresentam índice satisfatório, abaixo de 1%.

Este é o resultado parcial do Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) 2010, apresentado em entrevista coletiva pelo ministro José Gomes Temporão. A metodologia permite identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município.

Neste ano, 425 cidades estavam programadas para participar do LIRAa. Ano passado, foram 169. Do total de municípios previstos para este ano, 303 já enviaram as informações ao Ministério da Saúde, até o momento. Em outras 115 cidades, o estudo está em andamento – e sete inicialmente previstas decidiram não realizar o levantamento.

Na Bahia, três municípios estão em risco de surto: Ilhéus, Itabuna e Simões Filho. Outros sete — Alagoinhas, Camaçari, Feira de Santana, Jequié, Porto Seguro, Salvador e Teixeira de Freitas – estão em situação de alerta. Três cidades têm situação satisfatória (Juazeiro, Lauro de Freitas e Vitória da Conquista) e Barreiras ainda está consolidando os dados.

COMUNICAÇÃO – A divulgação do LIRAa 2010 foi simultânea ao lançamento da Campanha Nacional de Combate à Dengue para reforçar o alerta que vem sendo feito pelo Ministério da Saúde desde setembro, quando foi lançada a ferramenta Risco Dengue (leia mais abaixo). Este ano, a campanha aumentou o tom de alerta, com o testemunho de pessoas que tiveram dengue e lembrando as que morreram em decorrência da doença.

A Campanha Nacional de Combate à Dengue de 2010 traz um novo olhar sobre a forma de lidar com a doença, com a qual o Brasil convive há 24 anos. Uma mensagem mais direta à população sobre a gravidade da dengue e sobre a necessidade de que cada pessoa elimine criadouros do mosquito em sua casa direciona as peças publicitárias impressas, na TV e no rádio.

A renovação de conceito e de estratégia partiu de uma pesquisa de opinião que revelou uma resistência das pessoas em mudar seu comportamento, embora 96% saibam quais os sintomas da dengue e como fazer para combater o mosquito transmissor. A mensagem de 2009, “Brasil unido contra a dengue”, foi substituída por outra, que reforça a responsabilidade do cidadão: “Dengue: se você agir, podemos evitar”.

“Cada vez mais, precisamos difundir a idéia de que dengue não é um problema só da saúde e nem só dos governos. Se a comunidade não se envolver, e se não houver a articulação com outros setores, continuaremos enfrentando aumento de casos e de mortes por dengue no Brasil”, afirmou o ministro José Gomes Temporão.

As peças de TV e rádio trazem depoimentos de pessoas que enfrentaram a doença e quase perderam familiares, além de declarações de líderes comunitários sobre a importância de cobrar também a ação dos gestores da saúde e de outros setores, como meio ambiente, saneamento básico e limpeza urbana. A campanha tem, ainda, materiais específicos para educadores, crianças e gestores e profissionais de saúde.

CENÁRIO 2009/2010 – Em 2010, até 16 de outubro, foram notificados 936.260 casos de dengue clássica no país, dos quais 14.342 foram classificados como graves. O número de mortes foi de 592. No mesmo período de 2009, foram 480.919 notificações, com 8.714 casos graves e 312 óbitos.

A recirculação do sorotipo DENV-1, que havia predominado no país no final da década de 90, está entre os fatores que contribuíram para o aumento de casos em 2010. Em quase todos os estados, havia um grande contingente populacional sem imunidade a este sorotipo. Isto, aliado aos altos índices de infestação revelados pelo LIRAa 2009, representou um cenário favorável à transmissão da dengue em grande escala no Brasil, neste ano.

Além disso, conforme aponta o Risco Dengue, a manutenção de condições precárias de saneamento básico e a irregularidade da coleta de lixo em muitos municípios brasileiros impedem a redução dos índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti. “A falta de abastecimento de água obriga as pessoas a armazenarem em caixas d’água, tonéis, latões sem a devida proteção. O lixo acumulado também abastece o ambiente, de forma permanente, com vários criadouros ideais para a fêmea do mosquito colocar seus ovos”, explica o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho.

AÇÕES – Desde 2009, com o lançamento das Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, o Ministério da Saúde tem priorizado o reforço no apoio aos estados, com o envio de:

Ainda dentro das ações de reforço, houve o treinamento e a capacitação em todos os estados e no Distrito Federal sobre vigilância epidemiológica, plano de contingência para enfrentamento da epidemia, controle de vetores com preparação e aplicação de larvicidas e inseticidas, técnicas de segurança do procedimento e uso de armadilhas de monitoramento, além de assistência aos pacientes com organização da rede e aplicação da classificação de risco.

Simultaneamente ao trabalho com os estados, o Ministério deu início à revisão dos manuais de diagnóstico e tratamento de pacientes com suspeita de dengue (adulto e pediátrico), com divulgação prevista para dezembro. No próximo dia 18 de novembro, em parceria com a Fiocruz e as redes Telessaúde e RUTE, será realizada videoconferência para capacitar profissionais de saúde de todo o país sobre diagnóstico e manejo clínico da dengue.

Também está em andamento uma parceria com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e com operadoras de planos de saúde para implantação da Classificação de Risco nas unidades de saúde particulares. Em 2009, o Ministério enviou do kit “Dengue: Decifra-me ou Devoro-te” para 300 mil médicos e 292 mil enfermeiros de todo o país, com informações técnicas sobre a doença e manejo clínico de pacientes.

VIGILÂNCIA – No rol de medidas de combate à dengue, o Ministério também ampliou de 48 para 66 as Unidades Sentinelas de monitoramento de circulação viral. Foram destinados R$ 25 milhões aos municípios para incorporarem Agentes de Controle de Epidemias às equipes de Saúde da Família. Entre 17 e 29 de outubro, 25 brasileiros e 15 representantes de nove países das Américas com transmissão de dengue participaram, em Belo Horizonte (MG), do 7º Curso Internacional de Gestão Integrada, Prevenção e Controle de Dengue.

Ampliou-se de 22 para 26 as unidades da federação com Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). Ao todo, até o fim deste ano, a União repassará a estados e municípios R$ 921,6 milhões por meio do Piso Fixo de Vigilância e Promoção da Saúde. Esse valor não é exclusivo para o combate à dengue e não inclui nem a contrapartida de estados e municípios nem os gastos com equipamentos, medicamentos, inseticidas, kits de diagnóstico e campanha de mídia.

DENV-4 – Após 28 anos sem circulação deste sorotipo no Brasil, o DENV-4 foi detectado em julho, em Boa Vista (RR). Até o momento, dez casos foram confirmados, mas desde setembro não há suspeita de novos casos pelo sorotipo 4. Embora o sorotipo não tenha sido detectado em outras localidades, até o momento, seu ressurgimento em Roraima levou o Ministério da Saúde a emitir alerta a todas as Secretarias Estaduais de Saúde.

Em parceria com as Secretarias de Saúde do Estado de Roraima e do Município de Boa Vista, o Ministério da Saúde adotou medidas de contenção, com a aplicação de larvicidas e inseticidas em todos os bairros da capital, visitas de Agentes Comunitários de Saúde em 100% dos domicílios nos 17 bairros com casos suspeitos e confirmados pelo DEN-4. Além disso, foram intensificadas ações de eliminação de criadouros, limpeza urbana e busca ativa de novos casos suspeitos.

Fonte: Agência Saúde

 

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