Técnica em enfermagem que perdeu o pai para a covid-19 se torna vacinadora da linha de frente em Teixeira

“Se eu pudesse, voltaria no tempo para ele ser vacinado por minhas mãos” – Rhayssa

Rhayssa Soares, técnica em enfermagem, perdeu o pai para a covid-19. Fotos: Arquivo pessoal

A técnica em enfermagem Rhayssa Soares tem 24 anos, sendo os quatro últimos dedicados a sua profissão. Atualmente, ela trabalha no ESF São Lourenço 1, em Teixeira de Freitas.

Após a chegada das primeiras doses da vacina contra a covid-19, Rhayssa foi escalada para apoiar na campanha de vacinação do município. Ela foi imunizada no dia 25 de janeiro, enquanto integrante de grupo prioritário.

Antes de atuar na campanha de vacinação, ela foi imunizada como integrante de grupo prioritário

Em poucos dias, Rhayssa já atuou vacinando os profissionais da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), da Policlínica Regional de Saúde, Associação de Idosos, além da equipe de Vigilância Sanitária, Secretaria Municipal de Saúde, entre outros, e fala em sentimento de esperança.

Trabalho nessa área há quase quatro anos e sei a importância de cada vacina e quantas vidas já foram salvas por conta delas. É acreditar na ciência sobrepondo a ignorância e o quanto é importante defender o SUS“, disse a vacinadora.

Profissional tem se destacado enquanto vacinadora

Rhayssa Soares é natural de Nanuque (MG), mas cresceu em Lajedão, onde morou com a família por muitos anos. Atualmente, está concluindo a sua graduação em Fisioterapia – a realização de um dos sonhos de seu pai, Joselito Viana.

Lito, como era conhecido por todos, foi o maior incentivador para que Rhayssa estudasse e alcançasse sua realização profissional. Estudou só até a quinta série e sempre quis que a filha tivesse o que ele não teve. “O sonho da vida dele era ver essa filha dele formada. Chorou muito na minha formatura e era muito orgulhoso“.

Lito, como era conhecido, incentivava constantemente e se orgulhava da filha

Rhayssa contou ao jornal OSollo que, em família, sempre conversavam sobre a chegada de uma vacina contra a covid-19, como a salvação de todos – o que seu pai não teve tempo de ver acontecer.

Mesmo sem comorbidades preexistentes, Joselito faleceu por complicações da covid-19 em 27 de julho de 2020, aos 57 anos. A família morava há nove meses em Teixeira de Freitas. Rhayssa relembra cada detalhe.

No dia 04 de julho, ele passou mal no trabalho e veio para casa. Dois dias depois, marcamos uma consulta e foi solicitado o nosso isolamento, do meu pai e da minha mãe, Neli. No quinto dia de sintomas, ele teve a piora do quadro e foi para a UPA, já ficando internado“.

Ele foi transferido para a enfermaria do HMTF e seu quadro continuou piorando, precisando de uma UTI urgente. Nós conseguimos fazer a transferência dele em uma UTI aérea para Salvador. No aeroporto, foi a última vez que a gente viu meu pai. Após mais 14 dias internado na capital, ele faleceu“, acrescentou Rhayssa.

Após o translado, Lito foi sepultado em Lajedão sob forte comoção, respeitados todos os procedimentos para casos de covid-19.

Hoje vacinadora, Rhayssa relatou ainda que teve começo de depressão após tudo isso e chegou a pensar em desistir de seu trabalho e estudos, mas, novamente, a figura do pai foi um propulsor para continuar.

Rhayssa vacinou funcionários da Policlínica de Saúde

A gente não esperava que aconteceria dessa forma. Meu pai era mais saudável do que eu e a gente não conseguiu nem se despedir. Uma pena ele não poder viver agora esse momento. Se eu pudesse, voltaria no tempo para ele ser vacinado por minhas mãos“, disse.

Em vídeo postado nas suas redes sociais, Rhayssa registrou momentos dessa história:

https://www.instagram.com/tv/CCpaf4ljB0-/?utm_source=ig_web_copy_link

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