Suicídio

Alguns se justificam e se despedem através de cartas, telefonemas ou pequenos gestos – avisos que podem ser mascarados pedidos de socorro. Mas há outros que se vão no mais absoluto silêncio.

Ele não deixou nem ao menos um bilhete? Fica perguntando a família, a amante, o amigo, o vizinho e principalmente o cachorro, que interroga com um olhar ainda mais interrogativo do que o olhar humano.

Muitos se matam por amor mesmo. Mas têm outros motivos, tantos motivos, uma doença sem remédio. Ou uma dívida. Ou uma tristeza sem fim. Às vezes, começa a tristeza lá dentro e a dor na gaiola do peito é maior ainda do que a dor na carne.

Se a pessoa é delicada, não aguenta e acaba indo embora! Mas poderia ser diferente, para começar, poderia conhecer outras terras e outras gentes. Santo Deus!

Tudo isto é muito bonito, mas no momento do ato parecem coisas secundárias, que não dariam um novo sentido para a vida. Para o suicida, o novo sentido encontra-se alhures, num outro lugar bem mais profundo e misterioso.

Destroça o coração dos que ficam… O luto é solitário.

Lembrando que todos nós vivemos para nós mesmos, utilizando a liberdade para atingir os fins que queremos, e sentimos no nosso coração que podemos ou não realizar determinado ato, mas desde que agimos, este ato realizado em determinado momento de duração torna-se irrevogável e pertence doravante a história, onde não estamos mais livres, mas agindo pela fatalidade.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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