Suavidade e leveza

“Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.30)

Este verso sempre me deixou confuso. O modo como aprendi a viver minha religiosidade fez com que me sentisse uma pessoa com menos liberdade e menos direitos que as outras. E, claro, muito mais sujeita a culpas e sentimentos de inadequação. Nem tudo era ruim, mas em muitos casos minha religiosidade levou-me a viver sedento por aceitação  e aprovação.

Certamente que havia outras coisas que contribuíam e ela reforçava. Estivesse sempre preocupado com o que as pessoas pensariam de mim. E um efeito colateral disso é que eu estava sempre julgando as pessoas. Afinal, como eu poderia preocupar-me tanto com o julgamento dos outros e conseguir ser alguém capaz de aceitar os outros em lugar de julgá-los?! Enfim, este verso deixou-me confuso porque para mim, de verdade, o jugo de Jesus não era suave e seu fardo de forma alguma era leve.

E para mim era tão verdade tudo que me ensinaram que eu ficava cogitando algum outro tipo de significado para as palavras de Jesus que não suavidade e leveza, de fato. Procurava também compreendê-las  a partir de uma perspectiva mais espiritual, menos existencial, menos ligada de fato à vida. Deveria se tratar de algo para depois, não para agora. Afinal, o próprio Jesus havia afirmado que aqui teremos aflições! (Jo 16.33)

Mas, gradativamente, fui arriscando-me a duvidar de algumas coisas e fui arriscando-me a levar mais a sério o amor, a graça e a generosa presença de Deus. E fui descobrindo a suavidade e leveza de ser livre, perdoado e amado. A leveza e suavidade de se perceber completamente aceito por Cristo, exatamente como era. A religiosidade que aprendi, e que tinha o propósito de fortalecer-me, havia me enfermado. Mas o Evangelho de Jesus estava ali em meio a tudo aquilo, e prevaleceu.

Minha experiência não é a de todos. Mas tenho encontrado muitas pessoas com experiência parecida: ansiando por uma vida que parece não estar na santa espiritualidade que aprendeu na igreja. Pensam, então, que o problema são eles. Alguns desistem. Outros fingem e vão levando. Alguns fingem tanto que se adaptam e se convencem de que são realmente o que pensam, enquanto quem olha sabe que não é bem assim. Por Isso Jesus nos chamou: venham a mim!

Em meio à nossa religiosidade, precisamos ir a Jesus. Devemos aceitar a simplicidade do Evangelho. Devemos crer no poder do amor de Deus e viver mais desse amor. Devemos, definitivamente, entender que se trata de ser amado e não de estar certo, ser como o bastante. O jugo de Jesus é suave e seu fardo é leve. Verdadeiramente! Não se contente com menos que isso, pois não seria o Evangelho!

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