Seminário sob Vigilância à Saúde abordou impacto da dengue em Porto Seguro

Por Pedro Ivo Rodrigues

O Ministério Público Estadual promoveu, no último dia 6, o II Seminário Sobre Vigilância à Saúde do Ministério Público do Estado, no Centro de Cultura de Porto Seguro. O evento, que foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, abordou a temática da educação, prevenção e controle da dengue, enfermidade que se constituiu num grave problema de saúde pública no município em 2009, uma vez que milhares de pessoas foram infectadas com o vírus transmitido pelo mosquito aedes aegypt, resultando em seis óbitos registrados. O fato repercutiu nacional e internacionalmente e abalou a indústria do turismo da Costa do Descobrimento.

O promotor Dioneles Leone Santana Filho considerou que a doença, pela sua abrangência em todo o país, não pode ser ignorada. “Lugarejos remotos, desconhecidos pelos sistemas de saúde, onde faltam materiais básicos de higiene, são mais propícios a proliferação da dengue, até mesmo devido à falta de informações acerca das medidas de prevenção ao inseto vetor. Qual o significado dessa moléstia para o homem comum?É exatamente isso que precisamos enfocar”, declarou o representante do MP, que agradeceu ao apoio da prefeitura para a realização do evento. “Parabenizo o prefeito Gilberto Abade pelo apoio prestado. O fato deste auditório estar lotado hoje demonstra o sucesso da iniciativa. Já organizei alguns eventos nesta cidade e geralmente as pessoas não se interessam. Estou surpreso com esse prestígio ao seminário”, salientou.

O promotor Antonio Maurício Magnavita destacou a importância do trabalho dos agentes multiplicadores. “Esses agentes e também os comunitários e os de Combate a Endemias prestam um importante serviço na prevenção e combate a dengue. Em setembro de 2008, quando ocorreu o primeiro surto em Porto Seguro, os agentes adentraram, juntamente com a Polícia Militar, as residências das localidades mais afetadas, esclarecendo a população e eliminando os focos de infestação das larvas do mosquito transmissor”, afirmou Magnavita, fornecendo alguns dados gerais sobre a doença. “De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dengue é a segunda doença tropical no mundo, só perdendo para a malária. No Brasil, se gastam R$80 milhões por ano com o seu controle. É preciso se formar pessoas habilitadas para lidar com a dengue, para com isso surgir novas consciências, novas estruturas”, explanou.

O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional do Ministério Público (CEAF), Almiro Sena Soares Filho, enfatizou que “o direito à vida é o mais fundamental de todos, porque é prerrogativa para todos os outros” e que a abordagem ao controle de epidemias tem se modificado no decorrer do tempo. “No início do século XX, muitos crimes foram cometidos em nome de políticas de saúde. As doenças tinham, evidentemente, que ser combatidas, mas não de uma forma em que as populações de baixa renda fossem vistas como um corpo doente, que tinha que ser saneado senão extirpado. O povo brasileiro hoje é condutor do seu próprio destino”, declarou.

O promotor Márcio Fahel, que integra o Grupo de Atuação Especial em Defesa da Saúde (Gesau), considerou que o sentimento coletivo é importante para o combate a dengue. “Os agentes de endemias costumam trabalhar de forma solitária. Vivemos numa sociedade individualizada, na qual as pessoas cuidam apenas das suas próprias vidas, desprezando os problemas dos outros. Para a nossa missão, é necessário firmarmos parcerias. A filosofia que norteia o MP é a de que temos que trabalhar em rede. Atuamos juntos. Queremos trabalhar com união”, disse.

O prefeito de Porto Seguro, Gilberto Abade, relembrou os surtos de dengue ocorridos na cidade e suas implicações. “Em setembro de 2008, quando ainda era candidato, tivemos uma crise no município causada por essa doença. Assim que assumimos, num seminário no Rio de Janeiro, fomos informados da epidemia que grassava em Porto Seguro, com casos de dengue hemorrágica. Tudo o que acontece nesta região repercute no mundo todo, devido às suas especificidades. Entretanto não tínhamos a dimensão da tragédia que iria ocorrer em 2009, quando os corredores dos hospitais estavam tomados de doentes, as macas todas sendo utilizadas. Naquele ano, foram notificados 3010 casos, com seis mortes, embora possa ter havido muito mais, tendo em vista que muitas pessoas infectadas não procuram atendimento médico. Além das vidas que foram perdidas, a dengue causou um enorme prejuízo socioeconômico para o trade turístico local, uma vez que inúmeros congressos foram cancelados, reservas em hotéis e pousadas, etc. Milhares de turistas deixaram de vir para cá. A dengue também gerou problemas sociais, como desemprego e violência”, explanou.

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