SE EU CONVERSASSE COM DEUS

Hoje não trago um verso para nossa devocional. Hoje trago todo o Evangelho. Pelo menos até onde posso compreendê-lo. O título de hoje também não é meu. O tomo emprestado de um poema de Leandro Gomes de Barros. Brasileiro, poeta da literatura de cordel, nascido em 19 de novembro de 1865, em Pombal, Paraíba. A data de seu nascimento tornou-se o “Dia do Cordelista” em homenagem à sua trajetória e talento. Faleceu em 04 de março de 1918, em Recife, Pernambuco, aos 52 anos. No poema que dá titulo à nossa devocional ele diz: “Se eu conversasse com Deus / Iria lhe perguntar: / Por que é que sofremos tanto / Quando viemos pra cá? / Que dívida é essa / Que a gente tem que morrer pra pagar? / Perguntaria também / Como é que ele é feito / Que não dorme, que não come / E assim vive satisfeito. / Por que foi que ele não fez / A gente do mesmo jeito? / Por que existem uns felizes / E outros que sofrem tanto? / Nascemos do mesmo jeito, / Moramos no mesmo canto. / Quem foi temperar o choro / E acabou salgando o pranto?.

Seu poema me encanta e, se pudesse, lhe pediria permissão para assiná-lo. A ideia de Deus, o Todo Poderoso e Todo Bom Deus, não combina com esse mundo. E é difícil, se cremos nele assim e em Sua presença por aqui, não fazer essas perguntas, ainda que de outro jeito. Mas depois de assinar seu poema, o convidaria a considerar as respostas que podemos formular às perguntas que fez. Não para fazê-lo calar-se, pois suas perguntas são inevitáveis e continuarão a ser feitas. E são, também, importantes para a fé. As responderia como forma de iniciar um diálogo, que fosse existencial e de fé, ao mesmo tempo. E pensando nas respostas, as colocaria na voz de Deus. Pois, lendo os Evangelhos, ouço a voz divina dizendo ao cordelista Leandro, a mim e a todos nós: “Amo vocês. Escolham me amar de volta! Amem a mim, a si mesmos e aos outros. Vivam inspirados pelo amor. Se cada um de vocês fizer isso, todas essas perguntas terão respostas. Vocês serão as respostas! E, sim, Eu criei vocês como sou: capazes para amar. Se Eu não amasse seria como vocês: infeliz, insatisfeito e chocado com o rumo das coisas por aí! E certamente destruiria tudo que criei. Mas porque amo, escolhi perdoar, redimir e salvar!”

Talvez você possa escrever uma resposta melhor que a minha. Mas, Leandro não poderia ler, de qualquer jeito. Todavia, como suas perguntas são as de tantos de nós, vale a pena responde-las! Foram dirigidas a Deus, mas cabe a todos que nele creem, dar as respostas. Mais que isso, cabe a todos que creem no Evangelho, serem as respostas. O Evangelho nos comunica que fomos amados de tal maneira que agora a vida só faz sentido se amarmos. Se não entendemos isso, não entendemos nada do Evangelho, ainda que o tenhamos lido muitas vezes e sejamos capazes de recitá-lo. Viver a fé do Evangelho é viver aprendendo a amar. É lição para a vida toda. Que amemos mais e melhor na medida que lermos o Evangelho, cantarmos hinos e orarmos. Que a Bíblia não nos leve a outro caminho, que não o amor. Que nossa vida seja resposta, para que todos saibam que Deus não errou ou nos abandonou. Ele nos amou! E que não, não precisamos morrer para pagar, como pensou Leandro, pois Aquele que nos amou, morreu em nosso lugar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui