Saudades da velha Lisboa

Por Pedro Ivo Rodrigues

Em 2007, tive a oportunidade de conhecer uma parte da Europa. Embarquei em junho, num voo para Lisboa, saindo do Aeroporto Internacional de Porto Seguro. Amanheci na capital portuguesa, avistando logo ao aterrissar da aeronave a tão famosa Torre de Belém, um dos símbolos da portugalidade.

Logo após o almoço, saí para conhecer um pouco a cidade. Visitei a Sé, edificada no século XII, no local da grande mesquita Aljama, ou Mesquita Vermelha, que teria sido erguida no ano 784 da nossa era e demolida em 1147, logo após a conquista da cidade aos mouros pelos exércitos comandados por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. Na catedral românica, onde estão sepultados o rei D. Afonso IV (1291-1357) e diversos nobres e clérigos mediévicos, há o tesouro, composto por ricos trabalhos de ourivesaria dos séculos XV e XVI e a pia batismal onde foi batizado Santo Antonio, em 1195, bem como a arca que guarda os restos de São Vicente, padroeiro da cidade, martirizado pelos romanos no século IV. Curiosas são as construções fenícias, bem preservadas, no subsolo da catedral, datadas do século VIII a.C.

Em frente a Sé (século XII)
Nos dias seguintes, fui ao Mosteiro dos Jerônimos, construído entre 1502 e 1572, no sítio onde existiu uma capela, na qual passaram a noite rezando, na véspera da sua histórica viagem, Vasco da Gama e os integrantes da primeira armada enviada à Índia, em 1497, e onde estão os túmulos do próprio Vasco da Gama, dos poetas Luís de Camões e Fernando Pessoa, dos reis D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, etc. Também dei uma passada no Castelo de São Jorge, utilizado pelos visigodos no século V e reformado pelos mouros entre os séculos IX e X. Interessante destacar que esse local teve a sua primeira fortificação no século II a.C, aquando da aliança dos olisiponenses com os romanos, comandados por Décimo Júnio Bruto, descrita nos relatos do geógrafo grego Estrabão (64 a.C – 24d.C). A visão da cidade a partir do castelo é algo imperdível e que não tem como não ficar eternizado na memória.

Fora isso, o roteiro comum a todos os turistas: Torre de Belém, igrejas, museus etc.

Pelas ruas, brasileiros em todos os lugares, entre turistas e imigrados. A diversidade de tipos humanos na Europa é uma das suas características. Em todas as esquinas, se encontram indianos, árabes e africanos com suas vestimentas típicas.

A noite lisboeta é movimentada; muitas casas noturnas, restaurantes e bares (chamados de tascas), cassinos, etc. Com destaque para as Docas, movimentado ponto de encontro noturno.

Mosteiro dos Jerônimos (século XVI)
Como em qualquer capital do mundo, a prostituição domina muitas cenas. Embora os portugueses costumem dizer que essa atividade é majoritariamente exercida por brasileiras, o “cardápio” é muito variado. Belíssimas mulheres eslavas (russas, moldavas, búlgaras, romenas, etc.) oferecem seus serviços, além de portuguesas, gregas, alemãs, etc. A escolha fica por conta dos gostos de cada um e da disponibilidade do cliente em correr riscos, vide doenças sexualmente transmissíveis ou assaltos, uma vez que tais mulheres geralmente são exploradas por máfias ou envolvidas com outros tipos de criminoso.

Por fim, fui a uma casa de fado, o restaurante Lábios de Mosto, recinto tradicional, muito visitado por celebridades lusas e estrangeiras, no Chiado. Um ambiente simples, sem muito requinte, mas bastante agradável. É realmente mágico ouvir aquelas belíssimas canções, que fazem parte da alma portuguesa. Apreciei na ocasião um delicioso folhado de perdiz e um bom vinho.

Da minha estada entre Portugal e Espanha, nenhuma cidade me encantou mais do que Lisboa, cuja origem se perde na noite dos tempos e que tanto seduz pela sua cultura. Lisboa de onde partiram as naus para as terras do ocidente e do oriente, empório do mundo, inspiração de Fernando Pessoa e de outros grandes poetas. Sem dúvida alguma, se fosse escolher um lugar onde viver, eu escolheria Lisboa.

Nos próximos escritos, narrarei mais sobre essa viagem ao velho mundo.

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