Quando Jesus e o próximo são a mesma pessoa

“O Rei responderá: Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.” (Mateus 25.40)

A parábola que Jesus conta em Mateus 25 é de um conteúdo revolucionário. Talvez até mais para nós, cristãos evangélicos contemporâneos, do que para os primeiros ouvintes. Nela, Jesus fala sobre um julgamento em que dois grupos estarão separados. A um deles será dirigida uma palavra de boas vindas e acolhimento. Ao outro, uma palavra de julgamento e reprovação. E a razão não será o que se fez contra Deus ou para Deus. Mas o que se fez e o que se deixou de fazer ao próximo. Nessa parábola Jesus ensina que, entre outras coisas, a relação com Deus, em diversos aspectos, só pode acontecer por meio da relação com o próximo. E isso é bastante revolucionário.

Especialmente para alguém que, como eu, aprendeu muito e por muito tempo uma espiritualidade caracterizada pela relação com códigos de ética e disciplinas pessoais de devoção. É claro que esses são aspectos também presentes na espiritualidade ensinada por Jesus, mas acabamos nos concentrando completamente apenas neles, como se fossem os únicos e decisivos. Acabamos deixando nosso dever de amar e servir em segundo plano ou até mesmo ausentes de nossa espiritualidade. Aprendemos a ser zelosos no nosso “serviço a Deus”, aqui entendido como atividades religiosas e litúrgicas. Transformamos a leitura bíblica e a oração em exercícios de preparação espiritual para fazermos as cosias certas e recebermos bênçãos. Para termos melhor desempenho no “trabalho de Deus”. Refiro-me a essas coisas, da maneira que o faço aqui, apenas como forma de provocar um contraste. Não me interprete mal. Reconheço o lugar e cada uma das coisas que citei.

Todavia, temos nos equivocado, e precisamos reconhecer isso. Pois se nos esquecemos do amor e do serviço ao próximo, tornamos todas as demais coisas um desvio da vontade de Deus. Em lugar de sermos transformados e podermos, cada vez mais e melhor, revelar a outros a graça que nos alcançou, nos tornamos distantes e indiferentes aos outros. Ao contrário de Jesus, só saberemos lidar com os iguais. E semelhantes aos fariseus, teremos antipatia de pecadores. Jesus contou essa parábola e devemos ouvi-la. Se amamos a Deus, devemos amar o próximo. Se queremos servir a Deus, é servindo ao próximo, especialmente aos mais necessitados, que serviremos. Devemos ter cuidado para não desprezarmos a Cristo enquanto pensamos estar vivendo para Ele. E isso acontece, disse Jesus, quando desprezamos e deixamos de servir a quem precisa. Porque, irmãos e irmãs, há muitos momentos em que Jesus e nosso próximo tornam-se a mesma pessoa!

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