Programa de Desenvolvimento Econômico e Social da Mata Atlântica é lançado neste sábado

Foto: Mariana Ferreira

Com o tema O que nos une é maior do que o que nos separa, foi lançado, neste sábado (11), no assentamento Terra Vista, município de Arataca, Território de Identidade Litoral Sul, o Programa de Desenvolvimento Econômico e Social da Mata Atlântica. O evento, que teve a presença do secretário estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), Jerônimo Rodrigues, representando o governador Rui Costa, é uma iniciativa da Teia dos Povos e do Consórcio Intermunicipal da Mata Atlântica (CIMA).

A ação tem como objetivo proteger o bioma Mata Atlântica no estado da Bahia, conservando as espécies nativas de plantas e a fauna e construindo um bem viver para os povos da floresta, os extrativistas, assentados da reforma agrária, pequenos e médios agricultores familiares e todos aqueles que acreditam no potencial do cacau cabruca (produzido em um sistema que preserva a Mata Atlântica).

O secretário da SDR, Jerônimo Rodrigues, ressalta a importância da atuação articulada entre consórcio e Teia dos Povos, agentes de transformação que não só executa, mas pensa e elabora projetos estruturantes, revelando boas iniciativas, pensando na recuperação ambiental, desde o plantio à comercialização, com fortes vertentes de educação. Rodrigues lembrou ainda da importância da presença e atuação das universidades e da parceria do Governo do Estado com o Instituto Biofábrica de Cacau, que prevê a distribuição de 36 milhões de mudas nos próximos oito anos.

Foto: Mariana Ferreira

“Esse é um projeto de desenvolvimento e de mudança cultural, que já conta com a parceria do Estado e envolve indígenas, quilombolas, ribeirinhos, assentados e agricultores familiares de uma forma geral. É também uma iniciativa de valorização da cadeia produtiva do cacau e o Governo já vem realizando um trabalho de parceria nas áreas de regularização fundiária, por meio da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), de acesso à água e de apoio à cadeia produtiva do cacau, por meio do edital do projeto Bahia Produtiva com recursos na ordem de R$ 10 milhões, que está sendo executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), entre outras ações, que resultam na melhoria da renda e das condições ambientais e econômica dos territórios envolvidos”.Joelson Ferreira, da coordenação da Teia dos Povos, ressalta que esse programa visa a construção de uma base econômica, para uma região que perdeu força nas últimas décadas, para a partir daí, construir agroindústrias, roteiros turísticos, e uma educação com base na economia, reconstruindo a região com outra perspectiva. “Estamos dentro de uma bioma que, ao mesmo tempo que é riquíssimo é também frágil, que perdeu espaço com a monocultura, por isso, precisamos avançar na perspectiva de proteger esse bioma com conscientização e valorização do sistema cabruca e da região, reconstruindo um sistema agroflorestal, para proteger as nascentes, as espécies e trabalhar para gerar uma economia pujante desses territórios”.

O cacique Nailton Pataxó, da comunidade Pataxó Hã Hã Hãe, da Terra Indígena Paraguaçu, do município de Pau Brasil, falou das ações realizadas pelo Governo do Estado, nas áreas de acesso à água e apoio à bovinocultura de leite e afirmou que essas ações, unidas s atuação da Teia dos Povos, despertaram o interesse da comunidade para mudar a sua realidade. “Nós já estamos trabalhando a terra com o pensamento de plantar as mudas, que serão distribuídas e de produzir alimentos para a auto-sustentação da comunidade”. O cacique reforçou ainda que essa aliança com a Biofábrica e com a Teia dos Povos, que trabalha pela unificação dos povos é muito importante para que a comunidade tenha a garantia dessa autonomia.

Foto: Marta Medeiros/SDR

Para o diretor geral do Instituto Biofábrica de Cacau, Lanns Almeida, “o programa é desafiador, são 400 mil hectares de área recuperada e a Biofábrica, em parceria com a SDR, CAR, Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf), Superintendência de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), as secretarias estaduais de Agricultura, Ciência e Tecnologia e Inovação e Desenvolvimento Econômico, exerce um papel fundamental, para executar essa ação que deve empregar 120 mil pessoas na segunda maior região do estado em número de habitantes e com inscrição no cadastro único. Só com a reestruturação da agropecuária, agricultura e da organização da base produtiva, é que conseguiremos incluir essas pessoas de maneira duradoura, para poderem entrar num processo de produção, geração de renda e agregação de valor aos seus produtos”.O programa, que será iniciado com a recuperação de 200 mil hectares e implantação de mais 200 mil, totalizando 400 mil hectares de Sistema Agroflorestal (SAF) e cacau cabruca, será executado nos próximos oito anos, alavancando projetos de educação, inovação tecnológica e agroindustrialização, unificados com o turismo e a valorização da cultura e dos ativos regionais dos territórios inseridos no Sistema Cabruca, que na Bahia compõe o bioma Mata Atlântica, do Recôncavo ao Extremo Sul do estado.

A Teia dos Povos e o CIMA, desde 2013, vêm construindo esse programa, que atenderá 92 municípios, revitalizando e ampliando a economia de base na Mata Atlântica. A iniciativa prevê ainda a geração de 120 mil empregos diretos e indiretos, R$ 1 bilhão em impostos e R$ 8 bilhões circulando na região, mais de 200 espécies de animais conservadas, a conservação de 55 espécies de plantas nativas em alto risco de extinção, 36 milhões de mudas distribuídas em oito anos e o fortalecimento da vida no campo em busca do bem viver dessas comunidades, entre outras ações.

Foto: Mariana Ferreira

O evento, que acontece até o próximo domingo (12), com uma programação que inclui o plantio simbólico de um hectare de Sistema Agroflorestal (SAF) e distribuição de mudas, contou com a presença do chefe de gabinete da SDR, Jeandro Ribeiro, deputado federal, Davidson Magalhães, deputado estadual, Marcelino Galo, representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Banco do Brasil, prefeituras dos territórios envolvidos, CIMA e consórcios públicos, universidades estaduais e federais, institutos de ensino tecnológico, movimentos sociais, colegiado territorial, Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia, entre outras.

Jornada Agroecológica da Bahia

No evento aconteceu ainda o lançamento da 5ª Jornada Agroecológica da Bahia, que terá como tema central “Terra e Território: Natureza, Educação e Bem-Viver” e será realizada em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Porto Seguro (BA), no período de 19 a 23 de abril.

Teia dos Povos

Teia dos Povos é um Movimento Agroecológico inserido nos movimentos e comunidades, promotor de mudanças para uma nova sociedade a partir da emancipação, autonomia e dignidade do ser humano, da Mãe Terra e das suas sementes.

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