Procrastinação e precipitação

“Assim, como diz o Espírito Santo: Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração” (Hebreus 3.7-8a)

Procrastinação e precipitação são atitudes opostas mas igualmente danosas. Adiar o que deveríamos fazer e fazer o que deveríamos adiar, infelizmente, são duas atitudes bastante presentes na vida humana. Seja na vida de estudantes que acabam enfrentando exames sem terem se preparado, devido a procrastinação, seja na vida de milhares de pessoas que perdem recursos, comprometem o futuro e queimam etapas, pela precipitação.

Procrastinamos por indisposição, por irresponsabilidade, por preguiça, por dureza de coração. E nos precipitamos por impaciência, por ansiedade, por falta de domínio próprio. Esses são alguns motivos possíveis para essas duas atitudes indesejáveis e difíceis de serem evitadas. Não é uma boa coisa quando fazemos da procrastinação ou da precipitação um hábito. Embora seja improvável que jamais caiamos em uma delas, depende de nosso cuidado não vivermos vitimados por qualquer delas.

O texto de hoje nos fala da procrastinação em relação às coisas da fé, do Espírito Santo. Neste caso a razão pode ser definida como dureza de coração. Que é quando o Espírito Santo nos leva a compreender algo, quando “ouvimos a sua voz”, mas não queremos obedecer e resistimos. O conselho é: não resistam; obedeçam! Por que resistimos ao Espírito Santo?
Primeiro porque é possível. Porque Deus não se impõe a nós incondicionalmente. Porque Ele não se relaciona conosco na base de seu poder, mas de seu amor. E há razões em nós que se tornam o motivo do endurecimento. Por exemplo, conflito de interesses. Queremos algo e o Espírito Santo nos orienta em outra direção. E aí entramos em conflito entre fazer o que queremos ou o que Ele quer. Para fugir do conflito, as vezes agimos como se não tivéssemos entendido a mensagem. Queremos confirmação para o que está claro, mas não queremos que esteja. O que estamos buscando é um espaço para não obedecer. Como não queremos assumir isso, então, procrastinamos. Deixamos para depois em nome de ter certeza e nos fazemos de surdos.

A falta de humildade ou dureza de coração é um ingrediente sempre presente nesses momentos. O Espírito Santo nos faz entender que devemos tomar certa decisão ou atitude. Mas fazer isso significaria perder aos nossos olhos. Perder num conflito, perder numa discussão, e não queremos ser humildes a este ponto.

As vezes nossas precipitações nos levam a erros que, para corrigi-los, tornam-se necessárias certas atitudes que não queremos tomar. E aí, procrastinamos. Outras vezes, nossa procrastinação nos leva a precisar decidir com rapidez e então, nos precipitamos. Era importante pensar melhor, ouvir outros, avaliar alternativas, mas justificamos que não tivemos tempo. E não tivemos mesmo, porque procrastinamos! A precipitação pode levar à procrastinação, e vice-versa!

Esses são dilemas a que estamos sujeitos e o lugar de solução para eles é nosso mundo interior. Para evitarmos a precipitação e a procrastinação devemos buscar maturidade, sendo responsáveis. E em se tratando da voz do Espírito ao nosso coração, devemos ser humildes e quebrantados. No momento em que o Espírito Santo quer nos guiar, muitas vozes podem surgir. Quanto antes obedecemos ao Espírito Santo mais fácil será obedecer. Submeter a si mesmo a Deus pode ser uma grande luta. Mas, como diz Provérbios,  “mais vale controlar o próprio espírito do que conquistar uma cidade” (Pv 16.32).

A procrastinação em qualquer área da vida pode trazer prejuízos sérios. E no campo espiritual nos impedirá de crescermos, de amadurecermos e de sermos uma benção. Se há algo que o Espírito Santo lhe tem falado para fazer, faça. Se é para parar de fazer, pare. Se diz respeito a uma decisão a tomar, tome. Não deixe para amanhã o que o Espírito Santo está lhe dizendo para fazer hoje.

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