Pesquisa revela que 23% das famílias gastam um terço da renda com aluguel

Na faixa de domicílios onde a renda per capita é de até meio salário mínimo, essa proporção sobe para 55%

Desde quando se casou com o comerciário Paulo Santana, há 3 anos, a professora Marta Ribeiro colocou na cabeça que viver de aluguel era só uma questão de tempo. Mas, para realizar o sonho, o casal teve que fazer muito equilíbrio para conseguir conquistar a tão sonhada casa própria. “O aluguel você paga e já está devendo outra vez. Passamos muito sufoco, deixamos de comprar coisas para dentro de casa para poder fazer o equilíbrio no orçamento e ainda juntar para comprar o apartamento”, conta Marta, que passará o Natal deste ano já na casa nova no bairro de Sussuarana.

Esse dilema que o casal Paulo e Marta viveu atinge mais gente do que se imagina. Essa semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa indicando que um em cada quatro domicílios urbanos alugados no Brasil é um problema para os inquilinos, que têm de reservar mais de 30% da renda para pagar pela moradia.

Na Bahia, 23% das famílias reservam mais de um terço da renda para o aluguel, como explica o coordenador regional de disseminação de informações do IBGE, Joilson Rodrigues de Souza.

“O indicador foi trazido pela pesquisa justamente para chamar atenção à seguinte questão: toda vez o investimento de uma família no aluguel chega a ser superior a 30%, esta acaba exposta a uma situação de vulnerabilidade, pelo peso que este custo teria no orçamento, comprometendo a realização de outras atividades”.

O levantamento do Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostra ainda que a população de baixa renda é a que mais sofre com o peso dos aluguéis. Entre todos os domicílios alugados, 25,7% se encaixam na categoria “ônus excessivo”, ou seja, cujo aluguel excede o patamar definido por organismos nacionais e internacionais, segundo o IBGE.

Na faixa de domicílios onde a renda per capita é de até meio salário mínimo, essa proporção sobe para 55%. Em números absolutos, são 2,9 milhões de residências alugadas por um valor acima do considerado razoável para a renda dos inquilinos.

É o caso da aposentada Maria Santana, 69 anos. “Eu ganho R$ 1,5 mil para sustentar minha família e tenho que pagar R$ 600 de aluguel. Dá um baque grande no final do mês porque depois do aluguel ainda tem luz, água, telefone e muitas outras contas”, diz.

nova vida O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis 9ª Região, na Bahia, Samuel Prado, explica que quem tem moradia fixa em uma determinada cidade deve pensar em ter uma casa própria. “A moradia fixa tem que ser planejada. Hoje, a compra do imóvel está mais fácil do que nunca. Há muitas vantagens de brindes, descontos e também de oferta do crédito”, argumenta.

Prado alerta, porém, que a pessoa tem que adequar a sua renda para fazer a compra do imóvel. “As taxas de condomínio estão ficando cada vez mais altas. As pessoas precisam pensar direito onde vão morar para equilibrar o imóvel de seu gosto com o orçamento para não evitar o comprometimento da renda”, diz.

Quem vive de aluguel, lembra Prado, a depender do contrato, fica responsável também por pagamentos de impostos do imóvel – como o IPTU – além do valor do aluguel propriamente dito.

Fonte: Jorge Gauthie/Correio

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