Pai

Hoje meu pai é um raio de sol que brilha na minha vida e isola do chão onde jaz os caminhos e escolhas erradas, este raio mostra a estrada certa a seguir. Tenho minha vida em movimento, lutando contra os defeitos das escolhas neste mundo fluido e rápido, não da para acertar sempre, mas sua luz ilumina parte do caminho.

Ele era sóbrio. Gostava de trabalhar e ler, e sua ausência, após três anos do seu desaparecimento dói no peito, sinto sua falta, lembro quando almoçava e sempre tinha uma laranja descascada na mesa, quantas vezes vi, ao dar boa noite, ele trabalhando na elaboração de sentenças no escritório junto com minha mãe até altas horas da noite, sinto saudade também do seu silêncio cheio de sabedoria, estava sempre na prisão dos protocolos da função de magistrado. Parece neste momento, que olho tanto para o passado que ele está me cegando, mas sei que o que ele perdeu de liberdade ganhou de brilhantismo no cargo exercido, e no ar que inspirava entrava-lhe pelo peito o peso das obrigações de juiz.

Eis mais uma dualidade: a forma como viveu dá a sensação de ser simultaneamente belo e triste. Um dia foi grandioso, esteve no centro de decisões trabalhistas complicadas e ao morrer foi um floco de neve, que caiu e penetrou no solo e transformou-se num raio de sol a iluminar os caminhos da vida de seus filhos, e talvez este milagre possa me transportar ao momento da sua existência, deixando o torpor invadir minha alma neste dia dos pais.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe semanalmente no site www.osollo.com.br.

Nota: O conteúdo aqui publicado é de inteira responsabilidade do colunista que assina o texto.

Comente!

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui