Oração

“Senhor, não me castigues na tua ira nem me disciplines no teu furor. Misericórdia, Senhor, pois vou desfalecendo! Cura-me, Senhor, pois os meus ossos tremem: todo o meu ser estremece. Até quando, Senhor, até quando?” (Salmos 6.1-3)

Os saltérios ou salmos, usados na adoração do templo, não falam apenas de alegrias. Falam também de dores. E falam muito de dores! Eles são cânticos e são orações, ao mesmo tempo. Há lamentos e desabafos, confissões e reclamações. Os salmista adoravam desnudando a alma diante de Deus, algo que precisamos aprender a fazer. Somos de uma cultura treinada em ocultar-se e viciada em causar boas impressões. Neste salmo o escritor revela seu medo do castigo divino. Quem hoje sente isso?! Ele diz a Deus que precisa de cura. De que está falando? De sua dor ou de seu pecado? Talvez dos dois. “Senhor, até quando?” ele pergunta. Para ele, já chega. Ele precisa de mudanças. Ele deseja melhoras.

Em nossa devoção precisamos aprender a ser sinceros, a descer mais fundo em nossa alma antes de podemos ir mais alto, em direção a Deus. Precisamos aprender isso tanto individual como coletivamente. Nossa adoração coletiva as vezes é marcada por coisas sem sentido. Cantamos que Deus é tudo para nós com uma facilidade imensa, mas sabemos que não é verdade pois a semana que se segue ao domingo desmente nossas declarações. Até quando? Nossa superficialidade não prevalecer, muito menos deve durar nossa hipocrisia. Desconhecemos o medo do salmista porque ignoramos a maldade que nos habita. Talvez tenhamos explicações demais para nossos pecados. Somos duros com os pecados dos outros! Somente pode regozijar-se na misericórdia de Deus quem, pelo menos por um pouco, estremece diante da condenação que merece.

Nossas conversas com Deus precisam ser mais pessoais e nossos assuntos, mais relevantes e verdadeiros. Se em nossas orações não falamos de dúvidas, medos, perplexidade e jamais fazemos perguntas a Deus, talvez estejamos precisando avaliar se estamos realmente presentes nessas orações. E Deus, está mesmo ali conosco ou já se cansou? Orar é algo sobre o que ainda temos muito que aprender. Ler as orações dos salmistas nos oferecem grandes lições. As vezes, algumas orações feitas nos templos ou na TV nos deseducam. Se o próprio ato de orar não trouxer em si mesmo a resposta que buscamos, por nos permitir conhecer mais de nós e experimentar mais de Deus, talvez não estejamos orando como devemos.

 

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