Natal

Nunca houve nada de especial em meus natais. Mas importante mesmo era a iluminação. Cascatas de luzes caindo pelos edifícios, derramando-se em torrentes pelas fachadas, e formando leitos com luzes picantes nas árvores, nos ambientes da classe média, enquanto os ricos enchem suas banheiras com champanhe, com o contraste dos pobres caçando gatos dos telhados para comer.

Os olhos refletindo as luzes que piscam em ritmo lento nas avenidas dos bairros classe média alta com os pobres na expectativa do bolsa familiar de seiscentos reais, por mais que me quisessem iludir com luzes, cores e canções de Natal.

Quando pequeno, numa idade em que raciocinar não era o meu forte, o Natal era encantado pelo sonho do presente de Papai Noel. Mas o tempo passou e ele se transformou em um tecido invisível com violência e injustiças social, não mais o sonho de Papai Noel mas a realidade crua de um mundo cada vez mais desigual.

Mas precisamos continuar nos apaixonando por cada nova versão do Natal, pois, o amor é o melhor sentimento do mundo, que é acompanhado da caridade.

O nascimento de Jesus está no centro, o que precisa mudar é a nossa maneira de estar no mundo com guerras e mortes. O Natal nunca impediu que por dentro eu chorasse lágrimas de sangue. O mundo falha sempre. No Natal ficarei sozinho com meus pensamentos e com meus receios novos, mas sempre com muita esperança nesta luz divina que brilha no meu coração.

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