“Mano, a gente vai morrer”. Sobrevivente do incêndio do Ninho do Urubu lembra momentos de medo

Dois sobreviventes do incêndio no CT do Flamengo falam do hospital
Dois sobreviventes do incêndio no CT do Flamengo falam do hospital. Foto: reprodução

O Fantástico deste domingo entrevistou Cauan Emanuel, de 14 anos, um dos três sobreviventes do incêndio no Ninho do Urubu que tiveram que ser hospitalizados. Ele contou qual foi sua reação ao saber que o alojamento pegava fogo.

“Eu estava dormindo aí escutei um barulho, mas eu deixei passar… eu pensava que eram os meninos brincando ou alguma coisa”, contou.

“O Jhonata [Ventura] e o [Francisco] Dyogo estavam desesperados, aí tentaram sair pela porta principal, só que já estava com cheiro de fumaça, estava quente. Na hora em que eles abriram a porta eu senti o calor na minha cara e aí eu acordei. Aí perguntei ao Diogo e ao Francisco o que estava acontecendo. Aí ele: mano, a gente vai morrer. O ar condicionado está pegando fogo. Se pegar no gás vai explodir”; lembrou.

Cauan contou que pediu calma aos amigos e começou a quebrar a janela. Um monitor ajudou e os três conseguiram sair do quarto, mesmo feridos. Outros dois atletas não acordaram e acabaram morrendo. “Acho que eles já estavam desmaiados com tanta fumaça”, diz Cauan, acrescentando que ainda tentou chamar um dos companheiros, Áthila, mas ele não acordou, assim como Vitor Isaías.

Cauan teve alta da CTI e foi transferido para um quarto do Hospital Vitória neste domingo. O goleiro Francisco Dyogo, que está na mesma unidade, se recupera de maneira mais devagar e segue um tratamento de fisioterapia respiratória no CTI.

Francisco, que foi o primeiro a acordar, também foi entrevistado pelo Fantástico. Ele afirmou que assim que abriu a porta já percebeu que havia bastante fumaça e que não dava para sair por ali.

Já Jhonata Ventura segue internado no CTI do Hospital Pedro II em estado grave. Ele está sedado e respira com a ajuda de aparelhos. Ele apresentou febre nas últimas 24 horas e passou por um banho com curativos nas feridas mais profundas.

O caso

As chamas atingiram as instalações onde dormiam jogadores entre 14 e 17 anos que não residiam no Rio na manhã de sexta-feira (8). A suspeita é de que a causa foi um curto-circuito em um ar-condicionado. Seis contêineres interligados serviam de dormitórios.

Em nota, a Prefeitura do Rio afirmou que o dormitório não tem licença municipal. “A área de alojamento atingida pelo incêndio não consta do último projeto aprovado pela área de licenciamento, no dia 5 de abril de 2018, como edificada”, diz o comunicado.

A prefeitura informou ainda que o Centro de Treinamento do Flamengo teve quase 30 autos de infração por estar funcionando sem o alvará necessário. Um edital de interdição chegou a ser emitido em 2017.

As vítimas do incêndio. Foto: Roberta Jaworski/Arte G1

As dez mortes:

  • Christian EsmérioGoleiro das categorias de base do Flamengo. Em abril, ele postou uma foto nas redes sociais de uma conquista com o clube;
  • Arthur Vinicius: morava com a família em Volta Redonda e completaria 15 anos no sábado (9). A família foi avisada e está a caminho do Rio, segundo informações da TV Rio Sul. Ele faria 15 anos neste sábado (9);
  • Pablo Henrique da Silva Matos: jogador do sub-17 do Flamengo, nasceu em Minas Gerais. É primo do zagueiro Werley, do Vasco, que já foi foi informado da tragédia;
  • Bernardo Pisettatinha 14 anos e estreou no Flamengo em agosto de 2018. Veio de Indaial (SC);
  • Vitor Isaíastinha 15 anos e veio de Indaial, no Vale do Itajaí catarinense. Estava no Fla desde agosto de 2018;
  • Athila Paixão: tinha 14 anos, era sergipano, natural de Lagarto e integrava o time de base do Flamengo desde março de 2018.
  • Jorge Eduardo Santos: tinha 15 anos e era de Além Paraíba (MG). Ele começou a jogar futebol aos 7 anos e chegou às categoria de base do Flamengo aos 12 anos.
  • Samuel Thomas Rosa: tinha 15 anos, era de São João de Meriti e atuava como lateral direito.
  • Gedson Santos: tinha 14 anos e era natural de Itararé (SP). Atuava como meio de campo.
  • Rykelmo de Souza Vianna: tinha 16 anos, era natural de Limeira (SP) e jogava no meio de campo, como volante.

Informações: G1

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