Mãe e bebê, do interior de Vereda, morrem na Ummi de Teixeira de Freitas; família cobra justiça

A gestação era controlada e indicava para um parto normal, sem complicações

Mãe e bebê, do interior de Vereda, morrem na Ummi de Teixeira de Freitas; família cobra justiça. Foto: OSollo

Uma mãe e seu bebê morreram após parto realizado na madrugada do último dia 18, domingo, na Unidade Municipal Materno-Infantil (Ummi) de Teixeira de Freitas. A família, que é do interior de Vereda, cobra providências e pede justiça, relatando negligência durante atendimento.

Um vereador de Teixeira de Freitas chegou a se inteirar da situação, solicitando apuração e disse que levaria o caso ao Ministério Público. Posteriormente, a Prefeitura Municipal emitiu uma nota informativa sobre o ocorrido.

O que aconteceu com mãe e bebê?

A versão contada a seguir foi ouvida pelo jornal OSollo junto a familiares. A mãe, Nicoly das Virgens Pereira, 19 anos, moradora de São José de Vereda (Piau), no interior de Vereda, estava grávida de 41 semanas e três dias. A sua gestação vinha sendo acompanhada, com pré-natais em dia, se preparando para um parto normal.

No dia 17, sábado, Nicoly se dirigiu à maternidade local para uma consulta de rotina com um profissional obstreta. Na ausência desse especialista no seu município, a paciente foi avaliada e encaminhada para Teixeira de Freitas, onde chegaram, ela e o pai do bebê, por volta das 23h30.

Segundo a família, a médica que a atendeu informou que seria feito uma cesariana e que não poderia ser induzida ao parto normal. Às 2h15, já durante a madrugada, o companheiro de Nicoly foi comunicado de que poderia descansar em casa e que receberia notícias de três em três e, se a criança nascesse, entraria em contato.

Por volta das 09h da manhã do dia 18, ele se dirigiu para a recepção da Ummi e foi encaminhado para a sala do assistente social da unidade, onde recebeu a informação do falecimento de Nicoly.

A família buscou saber o que, de fato, havia acontecido. Ouviram uma paciente que estaria no mesmo quarto de Nicoly e que deu a seguinte versão. Por volta das 04 horas, ela teria recebido uma medicação (que seria Ocitocina, usado para induzir parto normal). Porém, não reagiu bem.

A todo instante, Nicoly pedia que fosse retirado o acesso venoso, pois estava passando mal. Ela embolava a língua, se debatia e vomitava. Imediatamente, ela teria sido levada para a sala de cirurgia.

A família foi informada ainda de que Nicoly sofreu um infarto, com convulsão, por motivações raras, recebeu animação, mas sem sucesso. O bebê foi retirado, levado para a UTI neonatal, com pouca oxigenação no cérebro. Apesar de ter estado estável, também não sobreviveu a tudo o que aconteceu e foi a óbito na tarde do dia 19.

O corpo de Nicoly não havia sido encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), do Instituto Médico Legal (IML), pois o órgão não estaria funcionando. Ela deixou uma filha de dois anos e meio.

“Estamos à deriva, em um cenário de guerra, onde vidas são ceifadas e entregues ao esquecimento. Autoridades, gestores, pelo amor de Deus, tomem providência. A família da Nicoly está destruída, os pais, os irmãos, os familiares e amigos estão sofrendo essa perda. Não permita que isso ocorra com outras famílias. VIDAS SÃO VIDAS. Queremos justiça, clamamos por justiça. Profissão séria demais para ser exercida por amadores”, cita um texto atribuído aos familiares nas redes sociais.

O que diz a Prefeitura de Teixeira de Freitas?

A Prefeitura Municipal de Teixeira de Freitas, através da Secretaria Municipal de Saúde, emitiu uma nota informativa sobre o caso. Ela confirma que o atendimento foi realizado no último dia 17 de abril, que a gestação era de 41 semanas e toda assistência especializada e suporte para a realização do parto foram oferecidos. O que evoluiu, “infelizmente”, a um “caso inevitavel”.

A nota segue dizendo que a “unidade providenciou toda medicação e atendimento necessários, mas o caso foi uma fatalidade. Foi realizado ainda o parto na tentativa de salvar a criança, que chegou a ficar internada da UTIN, porém, o filho também não resistiu.

A UMMI informa que enviará o caso para a Comissão de Ética Médica da instituição para que seja feita a avaliação do prontuário, de toda documentação e posteriormente disponibilizado o parecer.

A Prefeitura Municipal de Teixeira de Freitas lamenta profundamente e envia condolências à família. Pede ainda que a dor da família não seja utilizada de forma política em um momento de tamanha sensibilização. A gestão reitera seu compromisso com as pessoas e com a transparência, e garante que está sempre disponível para o diálogo com a população”.

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