Livres e servos

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.” (Gálatas 5.13)

A fé cristã nos propõe uma vida livre. Ela, verdadeiramente, não combina com coação ou ameaças, bem como não combina com sedução, com uma proposta de vida em que somos convencidos a fazer algo interessados no que receberemos em troca. Não é assim porque a vida proposta pela fé cristã é inspirada pelo desejo de honrar a Deus, de adorá-lo. E tanto a ameaça quanto a sedução matam a adoração na raiz, pois envolvem-nos num tipo de motivação em que abrimos mão de nossa liberdade, cedemos ao poder, seja pelo medo ou pelo desejo. Como Paulo disse, somos chamados para a liberdade. E isso representa um desafio para todos nós.

Muitos só funcionam bem na base da ameaça: “se não fizer o que Deus deseja será punido”. Gostam de ouvir ameaças sendo pregadas. Entendem-nas como expressões próprias do Evangelho. Outros precisam motivarem-se pela esperança em benefícios, considerando a obediência um caminho para receberem benção. É inegável que a obediência pode resultar na bênção que esperamos e a desobediência nos levar a dores que tememos. Mas o problema é quando nossa devoção é vivida na base da expectativa de bênçãos ou medo de castigo. Mas há uma terceira via: é quando compreendemos a liberdade que temos em Cristo, a graça que não nos cobra compensações e o amor perseverante de Deus, e entendemos que temos um chamado para servir, amar e adorar.

O pedido de Paulo “não usem a liberdade para dar ocasião à carne” envolve justamente a ideia de não perder de vista esta terceira via. Por isso ele complementa dizendo “sirvam uns aos outros mediante o amor”. Somos livres em Cristo para servir uns aos outros. Para nos comprometer e nos esforçar, sendo pessoas movidas não por ameaças ou seduzidos por bênçãos, mas pela gratidão ao amor recebido. Compreendendo o chamado que temos para sermos livres e sermos bênçãos. Temos um mal adoecendo nossas igrejas: de um lado pessoas que entenderam a liberdade, mas tornaram-se descomprometidos em servir e de outro, pessoas comprometidas e dedicadas, mas porque acreditam que podem ser castigadas ou por esperarem compensação. Uns enfraquecem a igreja pela falta de compromisso e outros a tornam fonte de cansaço e frustração pelo equívoco de propósitos. Todos corremos o risco de estar num dos lados. Tenhamos cuidado! Aprendamos a ser livres e servos. É este o caminho!

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