Lembrando o passado

Lembrando o passado

Lembro de um pequeno rito de passagem. Eu era garoto e sonhei em ser um cientista e por isto ganhei de presente um microscópio pequeno. Sei que a geração a que pertenço encontrou o mundo desprovido de tecnologia, mas a chegada do homem a lua alimentou este sonho. Sou como um livro, muitos sabem o nome mas poucos sabem a história.
Você podia imaginar como devia ser na época, sem motores girando, sem zumbido eletrônico; havia apenas uma escuridão cobrindo tudo, silenciosa, e algumas luzes espalhadas, das casas térreas em Porto Seguro onde passei a infância e digo que, com a idade, veio a maturidade e vive uma vida desapaixonada, ao relento das ideias, lendo, sonhando, e pensando em escrever, uma vida suficientemente lenta para estar sempre à beira do tédio, bastante meditada para se nunca encontrar nela. Vivi uma vida longe das emoções tecnológicas de hoje.

Acordamos para um mundo ávido de novidades eletrônicas. Parece um mundo de algodão, sem nenhum contorno definido. Meu avô tinha uma forma de ser de falar o essencial, com calma e em voz baixa, tinha rigor em seu caráter. Meu patrimônio de dias hoje só encontra pressa. Durante um curto período, hoje habito dois mundos, flutuo entre eles. Trabalhos para cumprir, viagem da casa até o trabalho, o jantar pela noite, o livro, a televisão, mas a rapidez com que esquecemos é assombrosa, muita informação e pouco conteúdo, vidas ocas. Na época eu tinha fé num futuro fácil e feliz, rico de desejos satisfeitos, de experiências e de conquistas. Mas aquele era o tempo melhor da minha vida, e só agora, que me escapou para sempre, só agora eu sei.

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