Justiça condena Lindemberg Alves a 98 anos e dez meses de prisão

A juíza decidiu reduzir a pena por que, entre outros motivos, Lindemberg Alves confessou ter atirado contra a ex-namorada Eloá Pimentel.

Quase cem anos de prisão – a sentença da juíza Milena Dias pôs fim à maratona de quatro dias de julgamento de Lindemberg Alves. O ex-motoboy foi condenado pela morte da ex-namorada Eloá Pimentel e por todos os outros crimes de que era acusado.

Em cima no terraço do fórum, os jurados respiravam com certo ar de alívio depois de quatro dias tensos no Fórum de Santo André. Um deles chegou a fazer um sinal com as mãos dando a entender que Lindemberg já estava condenado. Eles tinham acabado de apresentar as conclusões à juíza. Eram 16h de quinta-feira (16).

A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, apareceu na janela. Olhou e comoveu a multidão que, apesar do calorão, passou o dia de pé na entrada do fórum pedindo justiça. Àquela altura, a decisão já tinha sido tomada. Só faltava a juíza Milena Dias anunciar a sentença, o que ela fez às 19h30.

“Os crimes praticados atingiram o grau máximo de censurabilidade que a violação da lei penal pode atingir. As circunstâncias delineadas nos autos demonstram que o réu atingiu com frieza, premeditadamente, em razão de orgulho e egoísmo. Além de eliminar a vida de uma jovem de 15 anos de idade e de quase matar Nayara e o bravo policial militar, o réu causou enorme transtorno para a comunidade e para o próprio estado, que mobilizou grande aparato policial para tentar demovê-lo da sua bárbara e cruel intenção criminosa”, sentenciou a juíza.

Ao todo, 98 anos e dez meses de prisão foi a soma das penas individuais relativas aos 12 crimes pelos quais Lindemberg foi condenado. Foram cinco condenações por cárcere privado: o de Eloá, dos amigos Iago e Vitor e Nayara por duas vezes – porque ela foi libertada e voltou ao apartamento tentando ajudar na negociação.

Lindemberg foi condenado também por quatro disparos a esmo com arma de fogo. Um deles foi na janela do apartamento. Os jurados consideraram Lindemberg culpado também por duas tentativas de homicídio: uma contra o sargento Atos Valeriano, o primeiro policial a invadir a cena do crime; e outra contra Nayara, ferida gravemente com um tiro no rosto, disparado pelo revólver calibre 32 que Lindemberg usou também para matar a ex-namorada.

Pela morte de Eloá, o motoboy foi condenado por homicídio doloso com motivo torpe, ou seja, um crime duplamente qualificado, com motivação banal, que tem pena máxima de 30 anos de prisão. A soma das penas máximas previstas para todos os crimes cometidos por Lindemberg entre 13 e 17 de outubro de 2008 daria uma pena muito maior do que condenação muito maior do que 98 anos e dez meses, mas a juíza decidiu reduzir a pena por que, entre outros motivos, Lindemberg confessou ter atirado contra a ex-namorada.

Na saída do fórum, a mãe de Eloá foi aplaudida. “Nada vai suprir a minha dor, mas foi feita justiça porque, pelo menos, eu sei que ele vai ficar um pouco preso para refletir o que ele fez e não fazer com outras”, afirmou a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel.

A mãe de Nayara comemorou o resultado do júri. “A justiça foi feita. Não sou eu que tenho de perdoá-lo. É Deus”, disse Andreia Rodrigues.

A promotora de Justiça Daniela Hashimoto deu uma longa entrevista. “Entendi que foi a resposta da sociedade, de uma sociedade de cidadãos de bem. Precisamos dar um basta a essa banalização da violência, principalmente essa coisificação das mulheres e também de companheiros, enfim. Não são 90 anos que ele ficará custodiado que irão trazer tanto a Eloá de volta quanto vai apagar esse terror que foi casado de forma indelével às demais vítimas e suas famílias também”, declarou a promotora de Justiça Daniela Hashimoto.

A advogada de defesa Ana Lúcia Assad fez o que vinha sinalizando desde o primeiro dia com reclamações sobre suposto cerceamento da defesa: disse que vai pedir a anulação do julgamento.

A postura da advogada durante os quatro dias de júri, especialmente no momento em que ela disse que a juíza deveria voltar a estudar, levou a juíza Milena Dias a anunciar que vai encaminhar o processo ao Ministério Público. Ela considerou que Ana Lúcia Assad cometeu crime contra a honra.

Eram pouco mais de 20h quando Lindemberg Alves saiu condenado do Fórum de Santo André. Depois de viver os quatro dias mais intensos desde aquela semana violenta e depois de passar o interrogatório inteiro tentando convencer os jurados de que matou a ex-namorada sem querer, o assassino de Eloá percorreu 160 quilômetros até o Presídio de Tremembé, no interior de São Paulo. Foi lá que ele passou os últimos três anos. E é lá onde ele deve ficar ainda por muito tempo.


Fonte: Bom Dia Brasil

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