Itapetinga: saúde levada a sério

Secretária de Saúde, Kally Cristina Soares, destacou as transformações ocorridas no setor
*Pedro Ivo Rodrigues

Kally Soares falou sobre os desafios enfrentados ao assumir a pasta, os avanços no setor e as parcerias que viabilizaram essas conquistas

A secretária de Saúde de Itapetinga, Kally Cristina Soares, concedeu entrevista exclusiva ao jornal O Sollo, no dia 12 de março, e relatou algumas ações que estão sendo desenvolvidas pelo órgão, bem como conquistas alcançadas durante a presente gestão municipal.

Reestruturação da Saúde

Kally afirmou que recebeu a secretaria envolvida em processos eleitorais e eleitoreiros e com dívidas perante prestadores de serviços, fornecedores, notas não pagas de combustível, etc. “Encontramos diversos medicamentos vencidos, que tiveram que ser incinerados, além disso, os programas contra a dengue, de Assistência ao Câncer de Colo de Útero, a Saúde Mamária e de Esquistossomose foram interrompidos”, declarou a titular da pasta, salientando que o organograma anterior não contemplava as ações apropriadas para um município do porte de Itapetinga, que é um pólo de microrregião de Saúde, segundo o Programa Diretor de Regionalização (PDR). “Encontramos ainda a Atenção Básica esfacelada, uma cobertura de Saúde Bucal e a de PSF insuficientes para a demanda local. A situação estava caótica. Para mudar esse quadro, o nosso primeiro passo foi fazer um plano para os primeiros 100 dias, priorizando as necessidades mais urgentes, entre as quais o pagamento das dívidas, a reativação dos programas de Saúde e a contratação de agentes de endemias. Promovemos mutirões de limpeza, com apoio das secretarias de Ação Social, Meio Ambiente e Educação. Reestruturamos a assistência farmacêutica, colocando em funcionamento as farmácias básicas, suprindo-as com funcionários capacitados”, ressaltou.

Segundo ela, todos os contratos para a prestação de serviços médicos de áreas como cardiologia e neurologia estavam suspensos. “Não tínhamos um SADT (Serviço de Apoio e Diagnóstico Terapêutico) estruturado para atender às demandas geradas na atenção básica. O Laboratório Regional, por exemplo, não dispunha de nenhum equipamento; apenas as paredes, portas e janelas. As unidades de Saúde da Família não tinham condições de executar as ações e programas a que se destinavam, porque foram inauguradas de forma eleitoreira, uma vez que nem tinham, e nem poderiam ter, alvarás de funcionamento. Esse foi o panorama que encontramos”, destacou.

Plano de 100 Dias

Patrícia Campos, coordenadora de Saúde Mental; Lilian Fernandes, coordenadora interina da Vigilância Epidemiológica; Marcela Soares, enfermeira auditora; Déborah Fróes, coodenadora da Dant; William Santana, enfermeiro do Trabalho; Adriana Alves, diretora de Vigilância à Saúde; Vanessa Lacerda, diretora de Atenção à Saúde e Kally Cristina Soares Silva, secretária de Saúde
“No Plano de 100 Dias, abrimos credenciamento para a contratação de especialistas e profissionais de análise laboratorial, como também para a Atenção Básica. Convocamos os aprovados no concurso público realizado durante a gestão anterior, chamando os enfermeiros, odontólogos, médicos, etc. Colocamos, enfim, esses serviços para funcionar. Estruturamos a parte administrativa da Secretaria de Saúde, elaborando um novo organograma. O Conselho Municipal de Saúde estava irregular, de acordo com a Lei Nº. 81142, não atendendo as recomendações do Conselho Nacional de Saúde. Solicitamos uma auditoria. Fizemos projetos de captação de recursos para construção de unidades defasadas, que não apresentavam condições de alocar as equipes. Ampliamos a cobertura da Saúde da Família de 47% para 58%”, explanou a secretária, que salientou: “A cobertura ideal para um município com a população de Itapetinga seria de 70%, o que é a nossa meta. Além disso, existiam oito PSFs, hoje são 11. Tínhamos 90 agentes comunitários de saúde, sendo 131 atualmente. No tocante aos agentes de endemias, contávamos com 26 e agora já dispomos de 46, com objetivo de chegar a 76 agentes. Eles não tinham carteira assinada, férias, 13º salário, etc. Hoje, eles são servidores do Município, com todos os seus direitos previdenciários e trabalhistas assegurados”, acrescentou.

Kally Soares enfatizou que foram ampliadas as especialidades médicas oferecidas aos munícipes. “Contamos agora com obstetras, urologistas, otorrinolaringologistas e outros profissionais que não atendiam pela rede municipal. Para exames como Tomografias, Cintilografias e angiografias, as filas de espera foram substancialmente reduzidas, tornando mais acessível à população procedimentos de alta complexidade e custo elevado”, disse.

Assistência farmacêutica

“Na assistência farmacêutica, saímos de uma lista de 50 medicamentos para os atuais 187 disponíveis. Fizemos um investimento de R$650 mil/ano nesse setor em 2009 e em 2010. Foi aprovado ainda o projeto Farmácia da Terra, para que seja implantada a fitoterapia nas unidades do município, o que faremos em parceria com as secretarias de Meio Ambiente e Agricultura e Desenvolvimento Econômico, o que irá gerar trabalho e renda para os pequenos agricultores, que irão cultivar as ervas medicinais, vendendo esses produtos para a prefeitura. O nosso viveiro será na Matinha”, informou Soares, ressaltando: “Teremos parceria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), na Diretoria de Assistência Farmacêutica”, frisou.

Urgência/Emergência

Secretaria Municipal de Saúde
No setor de Urgência/Emergência, foram desenvolvidos projetos de captação de recursos para a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “Será uma unidade de atendimento 24 horas. Esperamos que seja concluída e posta em funcionamento ainda no primeiro semestre de 2011. Existe também projeto semelhante para uma unidade do SAMU 192, com sede em Itapetinga. Já adquirimos as ambulâncias e contratamos os profissionais. Estamos aguardando as adequações que atendam as exigências do Ministério da Saúde para a Base, que é o local onde ficarão as viaturas. Contamos ainda com uma Central de Regulação, que é a de Vitória da Conquista. Teremos uma ambulância básica e uma UTI Móvel”, afirmou a secretária, ressaltando que haverá 10 leitos de UTI em parceria com a Santa Casa de Misericórdia. “Desses 10 leitos, oito serão pelo SUS e dois pela Santa Casa, sendo que o serviço será regulado pelo Município”, explicou.

DST/Aids

O município também conta com uma unidade de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis, o Centro de Referência DST/Aids, que possui veículo próprio e equipe multidisciplinar, formada por médicos, psicólogos e enfermeiros. O centro realiza exames e diagnósticos e presta assistência a portadores do vírus HIV.

Apoios e autonomia administrativa

A secretária informou que a sua pasta conta com total apoio da Sesab, na pessoa do secretário Jorge Solla, que sempre demonstrou disposição em aprovar todos os projetos que beneficiam a população de Itapetinga.

Kally Soares disse ainda que tem total autonomia para gerir a Secretaria de Saúde. “O prefeito José Carlos Moura não tem nenhum receio em investir na Saúde do município. Ele enxerga essa área como prioridade do seu governo e nunca se negou a nos auxiliar, colocando recursos no setor além do indicado. Encerramos o ano de 2010 com 17% de repasse em média anual. Todos os projetos que encaminhei ao prefeito foram muito bem acolhidos”, declarou.

Indicadores

De acordo com a secretária, o Índice de Infestação da Dengue em Itapetinga foi reduzido de 5.6 para 1.7. A mortalidade infantil, por sua vez, caiu 4% ao longo de dois anos. Os indicadores de vacina também apresentaram resultados otimistas. “Na Vigilância Epidemiológica, havia seis salas de vacina, hoje já são 12”, frisou Kally.

Ainda segundo ela, os óbitos por causas mal definidas foram reduzidos sensivelmente com o reforço na investigação das mortes.

Implantação da Saúde do Trabalhador

A Secretaria de Saúde de Itapetinga trabalha com a proposta da criação do Núcleo de Saúde do Trabalhador. “Iniciamos colocando um enfermeiro e um médico especialistas nesse campo e incorporaremos um técnico de segurança do trabalho, além de Unidades Sentinelas, que irão fazer registros para que possamos ter índices que justifiquem a implementação do referido núcleo”, finalizou Soares.

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