Itapetinga: Invista no verde para tirar sua fazenda do vermelho

A produção sustentável no Brasil multiplica-se de norte a sul do país, inspirando agricultores e  pecuaristas a adotar boas práticas sociais, econômicas e ambientais para aumentar sua produtividade e conservar a terra . As equipes de GLOBO RURAL, revista e TV, percorreram várias regiões do país para encontrar produtores que mudaram totalmente o manejo, a gestão e o astral de suas propriedades, conciliando produção e respeito à natureza.

No primeiro encontro que teve com pecuaristas e agricultores de Paragominas (PA), numa noite quente de agosto de 2009, o biólogo Ricardo Rodrigues foi chamado de louco. E expulso da reunião. Pesquisador renomado, ele havia sido convidado pela prefeitura do município paraense para uma tarefa espinhosa: elaborar um plano para recuperar áreas de floresta nativa em uma das regiões com maior volume de desmatamento do Brasil. Dito de outra forma, o biólogo teria de convencer uma plateia de grandes fazendeiros da Amazônia a substituir pastos e lavouras por mata. Uma missão que, naquele momento, “soava mesmo como uma coisa de doido”, admite.

A repulsa dos produtores estava ligada à história e à cultura da região. Repetindo o roteiro de boa parte da Amazônia, a ocupação de Paragominas ganhou força nos anos 1960 e 1970, com a chegada de pecuaristas e madeireiros do Sul e Sudeste do Brasil. Gente que cruzava o país em busca de terra barata, crédito farto e incentivos públicos para instalar as novas fazendas e serrarias. Naquele contexto, muitos dos pioneiros faziam as derrubadas de maneira descontrolada e sem respeito às regras do Código Florestal.

Com a expansão de pastos, rebanhos e negócios, ao longo dos anos 1980 e 1990, Paragominas se firmaria como grande polo da pecuária da Amazônia. E também como um dos líderes do desmatamento no país. O avanço acelerado sobre a mata só seria freado em 2008, quando Paragominas foi incluída na lista dos municípios que mais destroem a floresta amazônica – a temida “lista negra” do Ministério do Meio Ambiente. A fiscalização apertou, serrarias foram fechadas, fazendas de gado, multadas.

O pecuarista Mauro Lúcio Costa, atual presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, explica que, com o município na lista, os criadores ficaram “sem crédito em banco”. Além disso, fazendas e frigoríficos “começaram a enfrentar barreiras para vender os seus produtos, principalmente para o mercado internacional”.

Mas esse período de tensão e dificuldades “já virou coisa do passado”, garante o pecuarista Lourival Del Pupo, de 66 anos. Olhando para a sua boiada da raça nelore, ele afirma que hoje “tem orgulho” de criar gado em Paragominas. Proprietário da Fazenda Santa Maria, de 3.200 hectares, Del Pupo é de uma família que veio do Espírito Santo. “Nós sofremos nos últimos anos, passamos por muitas dificuldades. Mas, graças a uma série de medidas, a situação atual da pecuária já é muito diferente.”


Fonte: www.Globorural.com.br

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