Itagibá:Via SMS, pais controlam entrada e saída de alunos em escolas

Tecnologia de radiofrequência é inserida em camisas para controlar faltas. Evasão escolar motivou o projeto, implantado pela 1ª vez em Conquista.

Estudantes de três escolas de Itagibá, no sul da Bahia, passaram a utilizar, nesta sexta-feira 5, fardamento com a etiqueta de radiofrequência chamada RFID para controlar a entrada e saída nas unidades da rede municipal.

Batizado de “Uniforme Inteligente”, os chips são conectados a sensores instalados nas portas das escolas, que enviam uma mensagem de texto ao celular dos pais nos momentos de entrada e saída dos filhos nos colégios. O projeto foi inspirado no monitoramento de alunos pela mesma tecnologia (RFID) implantado em Vitória da Conquista, na região sudoeste, em março de 2012, a primeira experiência do país.

De acordo com Elinea Souza, secretária municipal de Educação, a decisão, tomada após audiência pública entre representantes da promotoria, conselho tutelar, conselho de pais e polícias, foi motivada pelo aumento no índice de evasão e dos casos de uso de drogas e prostituição entre menores de idade.

“Infelizmente, percebemos que, além de deixarem a escola para ir a lan houses e jogar sinuca, tivemos problemas de crianças com drogas ou jovens que iriam se prostituir nas cidades vizinhas. O pai achava que o filho estava na escola e, quando a escola ia averiguar as faltas, encontrava casos como esses”, pontua.

Segundo a gestora, em um dos casos, uma jovem de 15 anos apareceu grávida depois do aumento nas suas faltas na escola. “A mãe descobriu que ela saía para namorar no horário das aulas”, diz.

Orçado em pouco mais de R$ 300 mil, inicialmente, o projeto visa atender cerca de 1200 alunos do 6º ao 9º ano, em duas escolas municipais e em uma da zona rural, localizada no distrito de Japomirim. Ao todo, são 1200 alunos contemplados. Na quinta-feira, 4, quando se deu o lançamernto do projeto, cada pai de aluno recebeu duas camisas equipadas com o sensor e as orientações de manutenção.

Uma das críticas que recebemos tem a ver com a quantia [investida]. Mas temos de lembrar que os gastos para recuperar um aluno desses que falta aula para fazer algo errado é muito maior do que um chip na farda. Queremos evitar ter que recuperar o ser humano de algo como drogas ou prostituição”, alerta a secretária.

Ainda segundo ela, a população também fez questionamentos sobre a liberdade dos estudantes. “O que nós imaginamos é que os alunos devem satisfações aos seus pais, são menores de idade. O chip ajuda a garantir que o estudante vá à escola”, salienta. “Também temos questionamentos sobre a farda ser colocada na mochila e o aluno não ir, mas, caso isso aconteça, o sistema de presença regula a quantidade de merendas que oferecemos. Ou seja, se em um determinado dia nós dermos uma quantidade menor de merenda, saberemos que há algo errado. Também há outros métodos de controle de frequência, como as chamadas, por exemplo. O que a gente quer deixar claro é que um chip não é salvador da pátria, é mais um dos elementos que ajudam no controle da frequência”, opina.

Mãe de uma menina de 11 anos, estudante do 6º ano que começou a utilizar o fardamento nesta sexta-feira, 5, a professora Lucielia Silva acredita que o chip é uma forma de se precaver. “Acho que nós temos que caminhar com o tempo. Se hoje temos essa possibilidade, acho que pode ajudar, sim, ainda mais em nossa cidade que muitos jovens estão se desviando”, diz. A crítica da mãe fica por conta da implantação em apenas três escolas. “Como educadora, eu queria que tivesse na escola que trabalho também”, diz.

De acordo com a secretaria, a atual implantação está em fase de testes e há a intenção de levar o projeto a todas as escolas municipais.

Para o delegado da cidade, Almir dos Santos, o chip pode ajudar na frequência quando aliada a políticas como a de segurança. “O problema da droga é nacional, não acontece somente em Itagibá. Mas, sim, temos casos de menores que se envolvem e nós sabemos, também, que as escolas são visadas pelos traficantes por conta de se tratar de jovens, mais vulneráveis. A polícia trabalha para coibir isso, mas projetos como esse das escolas podem ajudar a manter os alunos estudando”, opina.

 

 

 

Fonte: G1 da Bahia

 

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