Índios Pataxó de Porto Seguro vão expor cerâmicas em Milão

Foto: Mídia Mutá
“Cerâmica Pataxó em Quatro Elementos” é o nome da exposição que os índios Pataxó da Reserva da Jaqueira vão realizar no Instituto Brasil-Itália de Milão, de 15 a 31 de julho. O evento coordenado pelo artista plástico e ambientalista Paulo Roberto de Souza tem como objetivo mostrar a produção artesanal do povo indígena brasileiro. O projeto, que começou com o Prêmio Interações Estéticas em Pontos de Cultura da Funarte, viabilizou o renascer da cerâmica entre os índios da Costa do Descobrimento, cerâmica que, entre os Pataxó, vinha sendo praticamente esquecida como tradição cultural.

Colares de vários tipos, medalhas, placas estilo mandala, pequenas estátuas representando figuras indígenas femininas, tigelas e outras peças representam a produção de cerâmica, feita na reserva da Jaqueira. As pinturas corporais e os grafismos são reproduzidos nas peças de argila e um pequeno forno foi montado para queima da cerâmica. “37 índios produziram mais de mil peças, dentre elas as medalhas dos Jogos Indígenas”, explicou Paulo Souza, “O objetivo do projeto é tornar a cerâmica uma alternativa viável para o desenvolvimento da arte e artesanato indígena Pataxó baseado ainda na madeira, isso possibilita uma alternativa sustentável para a comunidade Pataxó na Costa do Descobrimento”.

O local da exposição, o Instituto Brasil Itália é uma associação cultural sem fins lucrativos, que trabalha em colaboração com o Consulado Geral do Brasil e o Ministério das Relações Exteriores para a difusão da cultura brasileira e da lingua portuguesa no norte da Itália. O Ibrit realiza cursos, exposições, conferências e debates e conta ainda com a Biblioteca José Mindlin, com cerca de 9.000 livros de literatura, história e cultura. “O evento será uma oportunidade preciosa para exposição desta experiência artística a um público sensível e interessado na cultura brasileira”, comentou o Diretor Executivo do Instituto Brasil Itália de Milão, Marco Antonio Ribeiro Vieira Lima.

No dia 15 de julho haverá a abertura da exposição com vernissage e e a dança Awê Pataxó, a partir do dia 16. A exposição conta com o apoio da Axé Brasil/Imoplanet e o projeto já foi apresentado para avaliação à Prefeitura, Veracel e outras empresas da região da Costa do Descobrimento. “A comunidade da Jaqueira demonstrou muita vontade de aprender e a cerâmica despertou muito interesse em outras aldeias”, finalizou Paulo Souza, “o que é muito bom porque a cerâmica evita derrubar árvores para fazer artesanato de madeira, o objetivo é deixar a floresta em pé”.

Fonte: Mídia Mutá/ Antonio Alberghini

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