Impasse

“A gente escreve o que ouve, não o que houve”. Oswald de Andrade.

A dor da incerteza, sorrateira, aparece na manhã do sete de setembro, como apenas um homem pode mexer tanto com milhões a favor e contra suas ideais? Mas isto é a democracia.

A voz dele era como uma tempestade ,não faço texto sobre política, nas procuro entender o momento atual. Por mais nitidamente que veja e compreenda este cenário eu não lhe posso tocar e é preciso um esforço para entender. Pensar na realidade de hoje. O Brasil é a terra do agronegócio, de um lado e de outro destas estradas, terra da energia renovável, terra de pessoas pobres que não tem mais ninguém por si.

O verdadeiro poder é respeitar, entender e ajudar o ser humano. Imaginar que o mundo é um barco. E que estamos juntos para impedir que fique a deriva. As faíscas do confronto não tem lógica.

Surgem-me atentos pensamentos vagos, de possibilidades lógicas. O pensamento entrou na minha mente de repente, como um gato de rua. E uma vez aconchegado ali, recusou-se a sair. Gostaria de antes de morrer ser parte de algo novo, ter uma vida completa. Mas a vida, como um quebra-cabeça com peças faltando, é difícil de se completar sozinho, só com o meu desejo, existem pessoas que parecem viver um conto de fadas , enquanto outras passam fome.Conheces maior volúpia que a do dinheiro, senhor absoluto do mundo todo?

Só o que é bom e caro dá prazer à nossa elite e todos nós vivemos em fortalezas pessoais de preocupações autocentradas, estamos sempre as voltas com a própria vida, com a própria rotina, com os próprios problemas. É assim que a vida sempre foi.

A vida segue do jeito que deveria ser, um passeio geralmente tranquilo com um solavanco ou outro lá no meio do caminho. E então de repente o chão se abre e estamos olhando para um abismo , como a aparição do coronavírus, como a retirada vergonhosa dos Estados Unidos do Afeganistão, deixando tantos afegãos abandonados a própria sorte, e agora no sete se setembro, o que esperar a seguir?

Esses são os eventos gigantescos. onde o abismo se torna maior do que a própria terra. Às vezes o abismo só é grande o bastante para me engolir quando tive Guillaume Barre. Mas temos também as rachaduras. Quando o chão se abre, surgem fissuras.Estámos nos acostumando à decepção. A decepção e à desconfiança. Sombras não deveriam tomar os olhos dos brasileiros. Os olhos deveriam ser brilhantes, cheios de esperança e expectativas. Não de medo .

Hoje o Brasil está em constante impasse entre os poderes e também sob estresse. Ante o vasto céu estrelado e o enigma de muitas almas vejo que tudo que sabemos é uma impressão nossa, e tudo que vivemos hoje é um delírio coletivo. Uns governam o mundo com delírio e poder, outros são o mundo e estão perdidos neste devaneio coletivo.

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