Ibirapuã trava luta contra expansão do plantio de eucalipto em seu território  

O secretário de Agropecuária e Meio Ambiente de Ibirapuã, Vinícius Chácara. Fotos OSollo

A cidade de Ibirapuã está se organizando com o objetivo de implementar ações a fim de frear a expansão do plantio de eucalipto em seu território, pois, segundo Vinícius Chácara, secretário de Agropecuária e Meio Ambiente, “quando se fala em expansão abrange uma área de terra muito grande, e o problema todo é o desemprego”. Ele explica que ao se plantar o eucalipto ocorre o êxodo rural, pois, as pessoas que viviam da agricultura veem-se sem suas terras e, consequentemente, sem meios de sobrevivência, migrando do campo para a cidade, onde, por falta de especialização, muitas vezes, entram para a estatística do desemprego.

CO presidente do Sindicato dos Produtores rurais de Ibirapuã, Antonio Pinho; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores rurais, Pedro Rocha; o prefeito de Ibirapuã, Calixto Ribeiro; a secretária de Educação, Edelnice Bom Jardim, e o vereador Gilmar Pereira compuseram a mesa

Na tentativa de se pensar soluções sobre o tema, aconteceu na última terça-feira, 26 de junho, em Ibirapuã, uma reunião com os representantes de classe, sindicatos, associações de bairros, professores, vereadores, organizada pela Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente.

Na oportunidade, foi definido o dia ”D”, que acontecerá em 17 de agosto, para um movimento com a sociedade rural, comércio, sindicatos, representantes de classe, professores, vereadores. A ideia é que neste dia o povo vá para as ruas de Ibirapuã protestar contra a expansão do plantio de eucalipto.

O prefeito de Ibirapuã, Calixto Ribeiro

O secretário Vinícius Chácara informou que além das áreas plantadas, há no município mais de “18 mil hectares de terras de eucalipto não plantadas, mas de propriedade de empresas de eucalipto, e nós não temos no município mais de 10 funcionários no setor”, e completa: “Nossa preocupação é com isso, com o meio ambiente, com o social, devem muito sobre isso, o que pregaram há 20 anos sobre o social não está acontecendo”, afirma Vinícius Chácara.

Vinícius foi enfático: “Somos totalmente contra. Apoiaremos a sociedade, que estará junto com a gente nas ações, na área de educação. Ibirapuã não consegue mais encaixar o plantio de eucalipto”.  O secretário, titular também do meio ambiente, resumiu durante a reunião que a “preocupação nossa é geração de emprego, preservação ambiental e o lado social”.

Presidente da Câmara de Vereadores de Ibirapuã, Gilmar Oliveira ”Val’

Quanto à geração de emprego e renda, para Vinícius, Ibirapuã precisa de diversidade, de mais empresas como “a usina de álcool, que é uma geração de emprego espetacular, a Belo Fruit, uma das maiores exportadoras de mamão do país e está aqui, a Davaca, um exemplo, diferenciada, uma das maiores empresas do Norte/Nordeste”. Conforme o secretário, a sociedade está unida no objetivo de “defender o município por meio de ações, manifestações para que possamos coibir mais o plantio de eucalipto no município”.

O presidente do Sindicato de Produtores Rurais, Antônio Pinho, também citou as grandes empresas existentes em Ibirapuã, que contribuem de forma exemplar para a economia local. Durante a reunião, ele contou que há 16 anos, junto com a prefeitura, os sindicatos, a população e a Câmara Municipal, se posicionaram contra a expansão do eucalipto, e, agora, retomam a luta, preocupados com o meio ambiente e com a saída das famílias do campo. Nas palavras de Antônio, “são muitos os malefícios que encontramos com a expansão do eucalipto, por exemplo, a população rural nossa diminuiu muito, estamos hoje com a população muito menor por causa do plantio de eucalipto”.

Ibirapuã trava luta contra expansão do plantio de eucalipto em seu território

Pedro Rocha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ibirapuã, comentou que “Ibirapuã não precisa de uma cultura só, precisa de várias culturas. Não temos nada contra o cultivo do eucalipto, mas, Ibirapuã precisa diversificar, porque não é só o eucalipto, temos a pecuária, que gera leite, gera centenas de empregos, temos a Agro Unione, empresa que gera vários empregos, e outras empresas, agricultura familiar”.

De acordo com Pedro, “não somos o sindicato, é a sociedade, os agricultores que vendem suas verduras na feira, o fazendeiro que tem sua pecuária, as empresas que sobrevivem dos benefícios que vêm dos agricultores, da cana de açúcar”, que desejam barrar a o plantio de eucalipto na cidade.

Sociedade, membros de associações, líderes políticos foram à reunião

Também presente na reunião, a ex-presidente da Câmara e professora de ibirapuã, Elizabeth Rocha, “Beta”, disse: “Nós não vamos tolerar, não vamos aceitar. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance dentro da legalidade dentro de toda a mobilização da sociedade pra que a gente consiga mais uma vez parar a expansão do plantio de eucalipto no município de Ibirapuã”.

Genivaldo Pires, representante da Associação de Moradores de Ibirapuã, comentou: “Eu acho que o eucalipto para o município é um atraso de vida para o pequeno agricultor”.

O presidente da Câmara de Vereadores de Ibirapuã, Gilmar Oliveira, afirmou que “a Câmara de Ibirapuã vai dizer não a expansão de eucalipto, com certeza, juntamente com o prefeito Calixto, com a Secretaria de Meio Ambiente e todos os órgãos que lutam para o bem-estar da cidade de Ibirapuã”.

O prefeito de Ibirapuã, Calixto Ribeiro, comentou sobre as grandes indústrias de Ibirapuã, as quais geram emprego e renda. Sobre o eucalipto, disse que “não queremos mais plantio de eucalipto, nós temos lutado muito para que não haja expansão de eucalipto”.

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