Homens produzem menos espermatozoides hoje (e mais fracos). E há uma explicação!

Foto: Reprodução

A contagem de esperma nos homens de todo o mundo diminui constantemente. A tendência é global: estudos na Europa, Estados Unidos e até no Brasil mostram que a concentração de espermatozoides caiu aproximadamente em um terço em um intervalo de tempo menor que 20 anos.

A relação entre contagem de espermatozoides e fertilidade não é direta – a capacidade de fertilização do sêmen depende sobretudo, da qualidade do esperma. O problema é que, de acordo com estas pesquisas, este índice também está pior.

Uma recente descoberta acendeu um alerta ainda maior sobre o problema. Em um estudo publicado no jornal especializado Fertility and Sterility, a equipe de urologia da Universidade de Stanford demonstrou que, de fato, há relação entre a baixa contagem de esperma e outras doenças.

Ao avaliar a ampla amostragem de aproximadamente 9 mil homens com idade média de 38 anos, constatou-se, para além de dificuldade para fertilização, indivíduos com contagem abaixo do padrão têm taxas de mortalidade mais alto: 44% dos pacientes apresentaram também hipertensão e problemas cardíacos, vasculares, endocrinológicas e epidérmicas.

Pesquisas sobre espermatozoides: o que dizem?

O mais amplo levantamento sobre contagem de esperma foi realizado na França, entre os anos de 1989 e 2005, e avaliou 26.609 homens de 35 anos, em média. O estudo, que foi publicado no periódico Human Reproduction, registrou redução de 32% na concentração de espermatozoides no espaço de 17 anos – produção caiu de 73,6 milhões por mililitro para 49,9 milhões.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar da queda considerável na contagem do sêmen, o índice ainda é considerado saudável. O limite para configurar anormalidade, segundo a entidade, é de 15 milhões – até 2010, o limite era de 20 milhões.

Os pesquisadores do Instituto de Veille Sanitaire, autores do estudo, são mais alarmistas. “Estes resultados indicam uma diminuição grave e generalizada da qualidade do sêmen na França, o que constitui um sério aviso de saúde pública”, diz o artigo. “É um indicador da deterioração do gameta. Esta questão poderia ser uma crescente causa de preocupação para a saúde da próxima geração”, adicionam.

Na Dinamarca, um estudo realizado pela Universidade de Copenhague e publicado no British Medical Journal, comparou a atual geração de homens com média de 19 anos com duas gerações anteriores. Constataram manutenção na quantidade de esperma no sêmen, mas uma queda acentuada na qualidade do líquido seminal.

“Apenas um em cada quatro homens teve qualidade de sêmen ideal (23%0. Além disso, um em cada quatro provavelmente enfrentará um tempo de espera prolongado para a gravidez se quiserem, no futuro, ter um filho. E outros 15% estão em risco de ter necessidade de tratamento de fertilidade”, afirma a conclusão da pesquisa.

No Brasil

A principal pesquisa realizada no país a respeito de contagem de espermatozoides é a “Queda na qualidade do sêmen em homens inférteis durante últimos dez anos no Brasil”, realizada pelo Instituto Sapientiae, braço de pesquisa da clínica reprodutiva Fertility, que analisou o material de 2.300 homens entre 2000 e 2012.

No Brasil, os resultados são ainda mais expressivos. Os dados finais do estudo afirmam uma redução de 61,7 milhões de espermatozoides por mililitro de sêmen para 26,7 milhões. E do ponto de vista da qualidade do esperma, também houve queda: de 4,6% de espermatozoides morfologicamente normais para 2,7%. Para a OMS, o limite da normalidade é de 4% – até 2010, o limiar era de 14%.

“Esta descoberta pode ter implicações na fertilidade e enfatiza a necessidade de novos estudos abordando o estilo de vida do sujeito para encontrar e reduzir os agentes causais”, concluem os pesquisadores.

Fatores resultantes

Do ponto de vista clínico, a causa número um é a varicocele, uma dilatação anormal das veias do cordão que sustenta os testículos. “Até 30% dos homens podem ser afetados e terem alteração. Mas é um efeito lento e progressivo, sua ação ocorre ao longo de anos”, explica o dr. Samuel Saiovici, urologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.

A varicocele, contudo, não explica sozinha este fenômeno da queda da contagem de espermatozoides. Os estudos citados relacionam o problema ao estilo de vida contemporâneo, baseado em alto consumo de gordura, açúcar e álcool, alto nível de estresse e sedentarismo.

“Para afetar a produção do espermatozoide, o estresse precisa ser crônico, duradouro”, explica dr. Samuel. “A ingestão de hormônios contidos em carnes bovina ou de frango e de defensivos agrícola químicos podem colaborar. Além de fatores como idade, peso, quantidade de gordura e uma vida sedentária”, completa.

 

 

 

 

 

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