Flecha

Cuidar”, muitas vezes, se transforma em ajudar e resolver e Rieli Francisco, um dos mais renomados indigenistas do Brasil foi desta forma que viveu. Na profundeza azul dos seus olhos redondos brilhava uma espécie de estrela de amor e de tristeza.

Amor pelos povos indígenas isolados, onde também resplandeceu sua tristeza com a proximidade do aniquilamento e extinção. Estes indígenas ainda não haviam aprendido como a vida funcionava, como tudo é lentamente sufocado, como o certo e o errado ficavam mais abstratos e menos nítidos no mundo dito civilizado.

O mundo se revela constantemente para todos nós, confesso que não sabia, no século XXI da existência de povos indígenas isolados, sem contato algum com a civilização, é uma forma rara e sagrada de viver.

Estes brasileiros precisam de tempo,nessa transição entre as trevas do interior da mata fechada e o campo eletrizante da vida “dita” civilizada.

Na zona de penumbra, entre estes dois mundos o indigienista foi atingido por uma flecha.
Mas em que o índio poderia se apoiar? A percepção faz a realidade, mesmo que essa percepção seja uma mentira.

Humanidade em estado cru,selvagem,a fugidia essência da nossa espécie, era a cabeça deste indio com arco e flecha.

E segundo palavras Rike:
“Cada um carrega sua morte em si,como a fruta seu caroço”

E para Rieli Francisco ela apareceu como um relâmpago, através de uma flechada, no espaço profundo entre uma respiração e a seguinte.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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