Escola

Nos primeiros meses de pandemia, 1,5 bilhões de estudantes em 165 países deixaram de ter aulas nas escolas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (Unesco). Nas salas destes alunos tinha sobre a mesa: papéis, livros e um computador. Isso estava relacionado ao ânimo de estudar, depois veio o período do abatimento, um vazio, uma espécie de ausência, como se houvesse uma lacuna. Os alunos perderam a noção de tempo escolar.

Existem segredos que são joias raras nas memórias de quem está na sala de aula. Lembro da professora Raidalia, quando fazia o ginásio era o estágio educacional que se seguia ao ensino primário. Ela tinha uma palmatória que servia para aplicar castigos nos alunos desordeiros, como também os alunos tinham olhos vulneráveis com pontos de referência na aula, que era um instante livre e solto em si mesmo.

Hoje, com os alunos em casa, há menos rumores na rua, menos automóveis, menos vida. Mas o que importa para o aluno não é a luz da tela do computador nem o som, é estar com o professor e os colegas juntos, a presença carnal, o imediato calor humano; é o hoje, o agora, o aqui – e isso não há com o ensino a distância.

Os alunos juntos após a pandemia mostrará que já serão outros e que estavam separados pelo tempo e pela distância. Cada um incorporou a si mesmo o tempo da ausência de forma única e particular neste distanciamento social.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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