Encarnação

Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1.14)

A encarnação é um conceito, uma doutrina muito importante para a fé cristã. No começo da era cristã, a encarnação de Cristo foi atacada fortemente pelo gnosticismo, que afirmava ser o corpo uma antítese ao espírito e nele residir o princípio do mal. E por essa razão, à luz do gnosticismo, Cristo não teria encarnado realmente, mas apenas feito parecer isso. Ele não seria, de fato, um ser humano, mas um super ser humano Imune às vicissitudes da natureza humana. Nos escritos do Novo Testamento esse tema é enfrentado firmemente. João o faz no evangelho e em suas cartas. Paulo também o enfrenta e o escritor da carta Aos Hebreus, também. João, em sua epístola declara: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida.” (1 Jo 1.1) A encarnação revela-se uma doutrina tão importante que João afirma ser ela o critério para confirmar se alguém está falando movido pelo Espírito de Deus. Ele escreveu: “Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus” (1 Jo 4.2)

Por não enfrentarmos hoje o gnosticismo como os primeiros cristãos precisaram enfrentar, perdemos de vista a importância da encanação para nossa fé. Mas, sem ela o Evangelho que teríamos seria outro. A doutrina da encarnação nos leva a reconhecer diversos desdobramentos definidores da caminhada cristã. Ela revela-nos muito sobre o amor de Deus, sobre o valor da vida, sobre como devemos viver nossa fé. Ela nos fala sobre humildade e serviço. A encarnação não ocorreu para que Deus conhecesse nossa condição. Ele nos criou e nos conhece. Ele, sem precisar tornar-se humano, já sabia o que era ser um ser humano. Como diz o salmista, “Ele sabe do que somos formados” (Sl 103.14). A encarnação teve a ver conosco, para que pudéssemos conhecer a Deus e ao Seu amor. Teve a ver com justificação, pois Ele assumiu nossa condição e morreu a nossa morte, pagando o preço por nossas transgressões. O Cristo encarnado é a Palavra de Deus na história. É o Criador expondo-se à vista das criaturas: “quem me vê, vê o Pai”, disse Jesus (Jo 14.14).

Somos crentes no Cristo que é a encarnação do Verbo. A nossa fé e a fé no Deus que, por amor, veio a nós. E isso tem implicações. Não podemos pretender segui-lo sem as implicações da encarnação. Não devemos transformar nossa fé, na fé da contemplação, na fé que nos leva a fugir da vida, na fé que só vê sentido na eternidade. Nossa fé entranha-se na vida, encarna-se e participa dos dramas do corpo e das tragédias da vida. Quando João diz que o Verbo se fez “carne”, a palavra carne aponta para mais do que apenas um corpo. Ela indica a condição frágil e sujeita à tentação. Jesus tornou-se frágil por amor. Mais que isso, Paulo afirma: “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado…”. Mas ele não para aí. Ele completa a mensagem da encarnação dizendo “…para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2 Co 5.21). Deus participou de nossa natureza para que pudéssemos participar da Sua natureza – essa é a nossa salvação. O verbo se fez carne e vimos a Sua glória, disse João. Que sua fé se faça carne e as pessoas possam em você ver a glória de Deus!

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