2020

Dá a Terra uma volta completa ao sol e neste movimento entramos em dois mil e vinte, que comemoramos contemplando os fogos de artifício quando chegamos nas asas dos minutos a meia-noite.

Um leve nervosismo sempre acontece, quando os ponteiros do relógio se juntam no número 12. Muitos bebem com afã, outros rezam. Quando as taças tiniram, ou nas missas e cultos então a esperança surge,mas o inesperado surgiu na forma de um grande Corvo preto, que colocou o novo ano, com a sombra do coronavírus, matando a alegria.

O Corvo trouxe muita morte. Quantas coisas se perderam em nós com a vinda deste Corvo? Quantas flores foram pisadas no jardim de muitas almas?E quanta ternura secou por falta de abraços? Estamos caminhando dentro da doença, na realidade, na virada do ano teríamos que brindar com fel e os pratos da mesa com cinzas.

Estamos com as faces cobertas, afivelamos ao rosto a máscara que impede a alegria vinda da alma, não se vê o sorriso. A natureza essencial agora no meio do ano é a melancolia com mais de setenta mil mortes, que nos faz refletir. Pensar no por do sol, ainda que seja meio-dia; e em toda parte se respira o cheiro das cinzas dos mortos.

Estamos nos movendo na aridez desta pandemia com cicatrizes, com aflições e amarguras, mas existem imagens belas, emoções nobres, mostrando que nosso destino como ser humano, não é vazio de sentido.

Por que temer a vida pelo sofrimento? Na vida está sempre a resposta, pois ela continuará depois de nós, nossa existência se desenvolve segundo leis antigas e imutáveis, segundo uma cadência própria, uniforme e antiga, sabendo que as maiores alegrias estão fora desta realidade de perdas, ela está no amor e na fé que tudo vai acabar e a vida continuar.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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