DOIS MIL E VINTE COMEÇA A SE DESPEDIR

Uns se apressam. Querem que ele vá de uma vez. Que não deixe mais vítimas.
Que não roube mais nenhum sorriso. Que não interrompa mais nenhuma luta. Não nos atrasou o suficiente? Quantos planos tivemos de adiar? Não por nós, mas pela situação.
Dois mil e vinte veio lembrar que eu e você não estamos sós. Somos coletivos. Embora nem sempre tenhamos consciência disso.
Chegar até aqui com saúde é vitória. Parece pouco, mas é o essencial. E agora a gente se lembra disso. Que falta nos faz os abraços. E aqueles programas de índios que a gente inventava mil e uma desculpas pra não ir? Hoje são as prioridades do que iremos fazer quando a rotina retomar, me adianto a supor que nunca mais seremos os mesmos. Muitas coisas se ressignificaram nesse tempo. Aprendemos a respirar fundo e a viver um dia de cada vez.
Compreendemos que nunca foi no nosso tempo e também fomos lembrados que precisamos exercitar a empatia, o respeito pelo outro, o amor como um todo.
Quantas emoções cabem nessa balança de choros e surtos?
Queríamos tanto ter tudo alinhado a nossa vontade e muitos sonhos tiveram de esperar. Vai valer à pena. Porque agora você reconhece o valor dos seus esforços e não se cansa mais de agradecer por todos os imprevistos que te salvaram. Foi difícil, mas não foi perdido. Foi ganho. De maturidade. De tempo com aqueles que amamos, de reconstruções internas e melhorias que há tempos vínhamos deixando pra lá.
Uma reforma íntima de encorajamento e fé. Onde a gente se resgata e se acolhe pra se perdoar de todos os excessos. Natal com cheiro de renascimento. De cura. De esperançar e sonhar outra vez. Vai dar tudo certo. Você vai ver.

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