Do popular ao saber crítico

Do popular ao saber crítico

Hamilton Farias de Lima

Professor universitário

“Educar verdadeiramente não é ensinar fatos novos ou enumerar fórmulas prontas, mas sim preparar a mente para pensar” Albert Einstein (1879-1955).

O conhecimento permeia as vivências do homem em formas e momentos distintos, ora pelas influências do seu ambiente, ora em dimensões outras, a conferir-lhes gamas de percepções diferenciadas, em consequência das apreensões que realiza ao longo do tempo. Assim, ele acumula saberes dos mais simples àqueles mais elaborados, como resultante da Pedagogia de sua existência e das distintas e indutoras oportunidades de conhecimento oferecidas e agregadas.

A apreensão do conhecimento pelo indivíduo está relacionada às condições consequentes à evolução mínima de suas capacidades cognitivas que, em suas gêneses, estão imbricadas nos processos educacionais a que se submete cada um. Isto vale dizer que o homem reflete em seus hábitos, crenças e tradições, a cultura que haja absorvido ao longo de suas vivências nas caminhadas de apropriações do saber (via Educação formal ou não!) até então disponibilizada pelo meio social do qual se revela sujeito ativo, impregnando sua identidade dos valores e ideais consequentes ao meio em que habita, vive e se desenvolve. Não à toa, o filosofo alemão Immanuel Kant já afirmava com sua reconhecida autoridade: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.

A Carta Magna brasileira, em seu Art. 5º, afirma “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…”, mas, no contexto da realidade nacional, inclusive dos tempos atuais, até onde esta disposição constitucional alcança a população do país, em relação ao ensino?

Infelizmente, para “todos” – no plano da Educação -, os números atuais indicam elevadas taxas de analfabetismo, ausência à escola, reprovações ou desistências, o que faz remeter o pensamento a milhões de brasileiros condenados à marginalidade do saber, em plena era da tecnologia, da internet e em consequência dos avanços da ciência.

E o que lhes falta para ações reflexivas próprias, que busquem entendimentos, e que se estendam a um palmo além do nariz, porque presos e ao alcance do meramente visível e do seu limitado espaço existencial, entorno habitável à semelhança de um nicho ecológico por si imutável? Com cristalina e meridiana verdade, certamente falta-lhes a consciência crítica, ou seja, aquele saber elaborado capaz de separar o joio do trigo!

No Mito da Caverna, também referenciado como Alegoria da Caverna, Platão, filósofo grego do século IV a.C., apresenta um quadro em que retrata no homem a ignorância dominante por sua cômoda adesão à cultura e à tradição reinantes, com pressupostos apenas no que lhe parece visível e sem maiores especulações da realidade que o circunda.

O conhecimento em relação ao real – que liberta o homem dos mitos e o afasta da ignorância -, vai além do senso comum e do mundo material a que está circunscrito porque exige procedimentos reflexivos derivados da vontade de entender racionalmente, caminhando pela estrada longa e extenuante dos estudos da ciência e da filosofia, na busca da verdade e da sabedoria.

Assim, porque liberado das amarras que o subjugam à ignorância e portador do senso crítico que remete à reflexão racional e, daí, às escolhas apropriadas de cunho ético, moral e social, encontra-se o homem potencialmente portador das condições razoáveis de partícipe das decisões que afetam o seu meio, na perspectiva de realizar-se o bem para todos, segundo os princípios e valores contidos nas regras socialmente acatadas. E não mais que isto para que todos possam ser reconhecidos iguais perante a lei!

“A educação tem raízes amargas, mas os frutos são doces”

                                      Aristóteles

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