Diálogo divino

“Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna?” (Atos 2.7-8)

Temos refletido sobre pentecostes, narrado por Lucas em Atos capítulo 2. Quando lemos as Escrituras, dentre as inúmeras informações e ensinamentos que recebemos, é preciso distinguir suas linhas centrais. Aquilo que poderíamos elencar como parte do seu propósito definitivo. E sem dúvida, podemos afirmar que as Escrituras são registros da percepção humana a respeito dos diálogos divinos com o ser humano. Por isso dizemos que elas são Revelação de Deus. Algumas vezes de forma clara e incisiva o diálogo aparece. Outras, de maneiras mais complexas e que exigem certa sensibilidade do leitor. Mas estará lá, o diálogo divino, em cada página. Sob esta ótica podemos também refletir a respeito do Pentecostes. O Deus que falou aos antepassados de várias maneiras e que por fim falou por meio do Filho (Hb 1.1-4), Ele, o Filho, que é a ultima e definitiva Palavra de Deus, o Logos Divino. E Deus escreveu mais um parágrafo na história de Seu diálogo conosco.

No Pentecostes Deus deu mais um passo em nossa direção. O som que veio do céu e encheu a casa onde os discípulos estavam reunidos simboliza isso. E neste ato dialogal de Deus ele concedeu o Espírito Santo a eles que, cheios da presença de Deus, falaram movidos por Deus. E falaram línguas que antes não eram capazes de falar. Falaram não de si mesmos, não para si mesmos, mas falaram de Deus a outros. O Espírito de Deus os aproximou dos outros e diversos outros cuja língua eles não eram capazes de falar, e falaram na própria língua materna de cada um desses outros. Um quadro fantástico na representação do Deus que fala e quer ser ouvido por cada ser humano. Uma fato histórico que se torna parábola perfeita do Deus que incessantemente entra em diálogo com o ser humano. Mas o Pentecostes já aconteceu a dois mil anos! Como é que ele nos afeta? O que ele nos ensina?

Ser cristão é estar envolvido nos propósitos dialogais de Deus, por assim dizer. O Deus que não se ocultou, mas se revelou. Quando queremos manipula-lo, quando queremos que Ele submeta-se à nossa vontade, O perdemos de vista. Mas quando nos aproximamos com fé, reconhecendo Seu amor e graça, quando nos deixamos ser guiar pelo Seu Espírito, percebemos como Sua voz está ativa, falando em nossa própria língua materna, a nós mesmos e, por meio de nós, pode do falar a outros! Mas, quantas vezes a nossa voz é ouvida pelo outro como a voz que veio de Deus? Quantas vezes a Palavra de Deus pode fluir através de nós? Por causa de Seu Espírito em nós? Nós podemos sim, hoje, inspirados por Deus, movidos por Ele, falar de Deus a outros com atitudes, atos e palavras. E nem precisamos falar uma língua que não conhecemos. Precisamos sim, ser humildes, e reconhecer que somos iguais àqueles que virão a nos ouvir. E precisamos falar cheios do amor do Deus que nos amou e falou conosco. E aí, então, o Pentecostes acontece de novo. Deus entra em diálogo, através de nós, com outras pessoas. Para faze-las depois porta-vozes da mesma voz que os alcançou.

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