Desemprego

Com certeza, a carteira assinada é a pátria sonhada, com poder de transformar o futuro em sonhos, com ela cheirando a mofo, encostada, e sem um vínculo de emprego,
somos apenas um endereço esquecido do mundo, vivendo a melancolia de uma mente vazia e angustiada, com um aperto no coração e dois olhos tristes, cabisbaixo e com desgosto. Um verdadeiro defunto em pé esperando ser ressuscitado pelo novo emprego.

O céu pode até está azul mas não trás energia, nem esperança. A vida se trasforma em uma coleção de expectativas frustadas. As experiências novas não são coloridas, ainda mais na pandemia e no estigma do confinamento. A alienação virá o consumo. A esperança vai ficando imprecisa e se apaga com a longa espera de novo emprego, com a realidade triste do acumulado de contas a pagar.

De certa forma, eu me ponho no lugar dos outros que estão em desespero, onde três parcelas de seiscentos reais não alimentam a alma, apenas mata a fome.

Caetano já dizia: “O ser humano nasceu para brilhar”. Deplorar, deplorar, sabendo que o movimento seguinte será levantar, ir até o toalete, um pé depois do outro, sentar na privada, sonolento, soltar o jato amarelo brilhante de urina, bocejando. Levantar, escovar os dentes, lavar o rosto e começar de novo, sob a luz implacável do dia, todos os rituais de vestir prescritos por nossa cultura e sair buscando uma vaga de trabalho, ritual hoje de 14 milhões de brasileiros…

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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