Entrevista: delegado federal assume pré-candidatura a deputado

Delegado federal Renovato é pré-candidato a deputado pelo PSL-BA. Fotos Arquivo pessoal

OSollo entrevistou o pré-candidato a deputado estadual Eriosvaldo Renovato Dias (PSL-BA), mais conhecido como dr. Renovato, que falou sobre a sua infância, adolescência e juventude, vividas na zona rural, e da sua carreira na Segurança Pública.

Dr. Renovato e sua esposa Neiri Dias Renovato

Dr. Renovato é advogado criminalista e delegado federal aposentado. Está casado há 23 anos com a mineira Neiri, tem três filhos (Diogo e Débora – do primeiro casamento – e Kamila) e quatro netos (Matheus, Artur, Otávio e Maria Rita). Por eles, deseja participar da construção de um Brasil renovado.  Como muitos baianos, tem uma história de superação e esforço pessoal.  Por trás de um glorioso currículo encontra-se uma pessoa determinada que, por seu próprio mérito, chegou ao lugar que escolheu para estar.

O pré-candidato a deputado estadual, dr. Renovato, com sua filha Débora Leal e os netinhos

Nascido na zona rural de Camacã, no Sul da Bahia, em 04 de agosto de 1955, é o filho mais velho de uma família de 14 irmãos. Seu pai, João Renovato, era gerente de fazenda e a sua mãe, Adelita Francisca, uma dona de casa. Aos nove anos mudou com a família para o município de Carinhanha, no Sertão, onde morou até os 21 anos, também na zona rural.

Dr. Renovato Dias, a esposa Neiri Dias Renovato e a filha Kamila Teixeira

Apenas com o ensino fundamental, foi sozinho para Belo Horizonte, onde trabalhou na iniciativa privada. Aos 30 anos, fez um curso supletivo para fechar o ciclo escolar, ingressando, dois anos depois, na universidade, onde se formou em direito.

Depois, prestou concurso para o cargo de delegado de Polícia Federal, ao concluir a Academia, foi lotado no Estado do Amazonas, onde assumiu a Chefia da Delegacia de Segurança Privada, começando aí uma destacada carreira. Foi delegado de PF em Uberaba e Uberlândia (MG).

Dr. Renovato tem entre os principais projetos o imprescindível apoio às investigações contra a corrupção

Seus 17 anos de história enquanto delegado é motivo de muito orgulho e admiração, pois, dentre seus feitos, está o de ser a autoridade policial federal no Brasil que mais investigou o crime de tráfico internacional de mulheres para fins de exploração sexual. Em razão da visibilidade alcançada com esse trabalho, foi convidado a dirigir a Divisão de Direitos Humanos da PF, em Brasília, passando a coordenar todas as ações voltadas ao enfrentamento de pedofilia via internet, tráfico internacional de pessoas, tráfico de órgãos e proteção à vítima e testemunha ameaçada.

A convite, foi delegado regional executivo no estado de Goiás. Foi Superintendente de Polícia Federal no estado do Piauí. Finalmente, e por escolha, assumiu a Chefia da Polícia Federal de Porto Seguro e Extremo Sul da Bahia, aposentando-se em 2015. Em junho do mesmo ano aceitou o convite para assumir a Secretaria de Trânsito e Serviços de Porto Seguro, onde fez o que aprendeu durante sua vida profissional: expurgou as escórias e acabou com o balcão de negócios. Não agradou a muita gente, mas, saiu com a consciência limpa e o apoio dos cidadãos de bem. E é essa postura que pretende levar para a vida pública.

Saiba o que ele pensa sobre a política, sua motivação para ser candidato e conheça as suas propostas:

  1. De onde surgiu o interesse em entrar para a vida pública?

Não me afeiçoava à política em razão da ambiência suja que permeava o meio. Entretanto, restei por me conscientizar de que, se penso em contribuir com a minha região, com o meu estado, não há alternativa senão pela via política. Só que, para que isso ocorra, é necessário expurgarmos da vida pública os maus políticos, pois poucos são os abnegados e comprometidos com o bem comum.

Além disso, me move a firme vontade de dar a minha contribuição no processo de renovação da política em nosso estado, pois, como delegado de Polícia Federal (aposentado), ao longo de 38 anos acumulei experiência na área de Segurança Pública e de gestão do serviço público.

Vejo que é possível mudar o status cultural que vige no âmbito da política, onde a maioria dos eleitos gastam fortunas com o único objetivo de se “dar bem” posteriormente. Eleitos que não pensam no bem comum, no progresso do estado, mas, tão somente, nos interesses próprios ou corporativos.

  1. Já teve contato com a vida pública?

Sem histórico político, mas ciente dos problemas estruturais do nosso Estado e da política, e por não me ver representado por nenhum dos atuais deputados do Estado da Bahia, empresto o meu nome ao desafio de poder mostrar que é possível fazer política séria, com trabalho e responsabilidade. Serei intransigente com a corrupção, um incansável na luta por segurança pública de qualidade, educação e saúde pública de excelência.

  1. Comente seus projetos. Tem algum em especial para a área de Segurança Pública?

Tenho como principais projetos o imprescindível apoio às investigações contra a corrupção, pois serei um firme combatente e denunciarei. Promoverei cobrança diuturna para que os municípios do extremo sul da Bahia sejam contemplados com equipamentos de segurança pública (Delegacias e Quartéis) humanizados, com efetivo qualificado e em número suficiente para combater de forma eficaz a criminalidade organizada, e, sobretudo, os crimes contra a vida, com vista a tirar essa região do mapa da violência.

Não é possível que tenhamos uma cidade do porte de Eunápolis, por exemplo, localizada estrategicamente às margens de uma BR de grande movimento e o Governo e/ ou Comando da Polícia Militar não se empenhe em transformar a 7ª Cia. de Polícia Militar num Batalhão.

Não temos ao menos uma fração do corpo de bombeiros na maioria dos municípios da nossa região.

A Polícia Militar do estado está com um déficit de mais de mais de 12.000 policiais; a Polícia Civil, com um déficit de mais 30% no seu efetivo. E ninguém faz nada para reparar essa grave situação.

Porto Seguro é um dos principais destinos turísticos do Brasil e é tratado com descaso, nenhum dos políticos com mandato levanta a voz para cobrar com veemência o aumento de efetivo das polícias, a criação de uma Delegacia de Polícia Civil em Trancoso ou uma fração do Corpo de Bombeiros em Arraial d’Ajuda. Sobre essas questões não vamos tripudiar, vamos cobrar de forma incansável. Vamos também cobrar do governo estadual que cumpra as decisões judiciais versando sobre reintegrações de posse e que crie patrulhamento policial na zona rural, sobretudo onde, no passado recente, tivemos inúmeras invasões de fazendas na nossa região, deixando os produtores rurais em constante estado de tensão e porquanto pra zona rural houve migração do crime e já virou rotina roubos nas estradas vicinais e nas sedes das fazendas.

Do mesmo modo, vamos cobrar a criação de um colégio militar no Complexo Frei Calixto, nos moldes existentes em Teixeira de Freitas.

  1. Qual a importância para um delegado de Polícia Federal se candidatar a um cargo eletivo?

Hoje, a corrupção grassa em todos os níveis de governo dos entes público federados, de forma sistêmica. Precisamos aboli-la. Para isso, é preciso contar com pessoas idôneas, de credibilidade comprovada e que tenham capacidade de promover as mudanças desejadas pelo nosso povo. Nesse aspecto, o delegado de Polícia Federal traz em sua formação a capacidade de se indignar com os desvios de conduta de agentes públicos.

  1. Quais suas propostas para Segurança Pública nos municípios?

A segurança pública deve ser compartilhada.

80% das ocorrências versando sobre crime comum têm como principal vetor a droga. Não se pode imaginar ou esperar, por exemplo, que o estado brasileiro, por meio da Polícia Federal, seja capaz de combater com eficiência o ingresso da droga em nosso país, pois, deve-se levar em conta a dimensão territorial e fronteiriça. Agregue-se a isso o fato de que temos como vizinhos os três maiores produtores de cocaína do mundo. Entendo que os estados têm o dever de promover com eficiência a segurança pública, capacitando e remunerando as suas polícias de maneira justa.

Cabe também ao poder público municipal dar a sua contribuição no sentido de enfrentar o combate do crime comum, desenvolvendo ações de prevenção à violência por meio da instalação de equipamentos públicos, como iluminação e câmeras. Além disso, também pode criar Guardas Municipais para a proteção de bens, serviços e instalações. Uma boa manutenção da cidade contribui para inibição da criminalidade. Quando a administração pública investe em iluminação e uma boa pavimentação das ruas, por exemplo, tem-se uma diminuição efetiva da ocorrência de assaltos.

  1. Para o Extremo Sul, o que planeja para contribuir com o desenvolvimento da Região?

Melhorar a Segurança Pública regional equipando, promovendo formação constante e de qualidade e fortalecendo com uma atuação compartilhada já será uma bela contribuição, eu creio. No mais, apoiarei e me empenharei para que saiam do papel, tornando-se prática, todos os projetos que contribuam para o desenvolvimento da região, nas mais diversas áreas.

 

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