Defensores de causas sociais são homenageados

Foto: Jornal O Sollo
Por Pedro Ivo Rodrigues

Na última sexta-feira, dia 27, os representantes de associações e demais entidades envolvidas em causas sociais foram homenageados na sede da subseção da OAB de Porto Seguro, evento que foi bastante prestigiado pela classe dos advogados, representantes da sociedade civil e imprensa.

O presidente da OAB local, Amílcar França Pinto, afirmou que o objetivo é estabelecer parcerias em prol dos verdadeiros defensores das causas voluntárias. “Fomos tocados para fazer esse movimento. Em Santa Cruz Cabrália, encontrei a Vó Jurema numa feira, tentando angariar recursos para as crianças carentes que atende em sua creche, no Arraial d´Ajuda. Ela é uma das pessoas que dedicam suas vidas em auxílio aos menos favorecidos. Proponho uma comissão de apoio, uma vez que a OAB sozinha não consegue mobilizar a sociedade de Porto Seguro para estar junto nessa empreitada”, explanou.

Considerações do juiz Roberto Costa de Freitas Júnior

Evento foi realizado na sede da OAB de Porto Seguro
O juiz Roberto Costa de Freitas Júnior destacou as dificuldades em representar o poder público, especialmente no município onde exerce sua jurisdição. “É salutar a contribuição desses voluntários ao povo brasileiro, oprimido por séculos de colonialismo, o que fez com que desenvolvesse essa mentalidade de acomodação diante de seus problemas e carências, já que dependia de praticamente tudo da metrópole. Entretanto não somos mais uma colônia, o que torna imperiosa a nossa determinação de buscar soluções por nós mesmos, com os recursos com os quais dispomos. É muito difícil representar o Estado no Brasil, principalmente em Porto Seguro, que, apesar dos seus aspectos históricos e potencial turístico, é uma cidade marcada pela pobreza de grande parte da sua população. As leis do Brasil são tão boas quanto às de qualquer outro país do mundo, mas os obstáculos à sua correta aplicação são muito grandes. Não temos instrumentos para garantir os direitos de todos os cidadãos, independente de classe social, etnia, etc. Como magistrado, sou muito bem pago para fazer ou tentar fazer justiça ao próximo. Todavia, ao olhar para os lados e constatar a total falta de colaboração de outras esferas do Estado, tem situações às quais chega a dar vontade de cruzar os braços, me omitir, mas uma voz interior me faz persistir nesse ideal. Eu chego a me perguntar, o que faz alguém como a Vó Jurema abdicar dos seus interesses pessoais para servir aos outros?”, indagou o juiz, salientando. “Em muitas ocasiões, a Vó Jurema me pergunta o que fazer por uma criança carente. A Casa do Oleiro me faz o mesmo questionamento em relação a um dependente químico que quer se libertar das drogas, mas pouco ou nada posso fazer nesses casos. O que eu sempre digo é que deveríamos nos concentrar mais em educar os menores, proporcionando-lhes oportunidades de inserção social, para que não tenhamos que puni-los na idade adulta”, considerou.

Religiosa italiana é homenageada

A Irmã Maria Zanotto foi uma das homenageadas
A Irmã Maria Zanotto, da Congregação das Freiras Angelinas do Brasil, cidadão italiana, natural da cidade de Vêneto, chegou ao Brasil há 22 anos e em Porto Seguro foi membro da comissão da festa dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, participando da liturgia do evento. Em 2007, foi eleita representante da madre geral do país. Ela foi uma das homenageadas na solenidade, assim como a Vó Jurema e a Creche Melquisedeque.

Vó Jurema conta um pouco da sua história

Jurema Leopoldina Bacichet, a Vó Jurema, acolhe crianças carentes há mais de 50 anos e atua há 16 anos no município, atendendo em sua creche no Arraial d´Ajuda. “Não gosto de homenagens, de receber esse tipo de atenção. Procuro realizar o meu trabalho sob o lema de “dar de si antes de pensar em si” e dessa forma pauto as minhas atividades. Eu sei o que sente uma criança que vive nas ruas, porque já passei por isso na minha infância. Costumo dizer aos meus filhos biológicos que têm que se conformar a estarem em segundo plano, porque primeiro tenho que servir aos meus filhos do coração, que são os que mais precisam de mim. No entanto quero agradecer a todo o apoio recebido do Poder Judiciário, do Ministério Público, Conselho Tutelar, OAB e demais órgãos e entidades”, declarou.

Advogada Ilma Ramos menciona ações do Clube da Amizade

Com reconhecida atuação social, Vó Jurema agradeceu todo o apoio recebido
A advogada Ilma Ramos, ex-presidente da OAB de Porto Seguro, enfatizou a atuação dos defensores de causas sociais e a necessidade de divulgação de suas ações. “Muitos desses voluntários ficam no anonimato. Faço parte do Clube da Amizade, que funciona na cidade há 30 anos, e que atende cerca de 80 crianças, fornecendo-lhes roupas, alimentos e carinho. Há pouco tempo, tínhamos aulas de Braile; depois passamos a responsabilidade ao município. Existem mais de 3.000 crianças de nossa cidade sendo atendidas em Eunápolis e Itabuna para tratamento de câncer, pelo GAC. Precisamos transformar essa realidade. Aproveito a oportunidade para lembrar que estamos num ano eleitoral e que devemos escolher melhor nossos representantes. Dinheiro para os projetos sociais tem, dinheiro se arrecada, mas precisamos fiscalizar a sua aplicação. Em relação a Porto Seguro, precisamos mudar esse ar de província que ainda paira sobre nós e mostrar que temos potencial para enfrentarmos os problemas da nossa gente”, afirmou.

Todos os representantes de entidades beneficentes foram homenageados com placas comemorativas.

 

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