Conjugando o Verbo Participar

“O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”, Platão (428-347 a.C)

Aproxima-se o final deste malogrado ano de 2015 (social, político, econômico, moral e ético), e o que se vê é muito mais para se lamentar, ao alvorecer das luzes de um novo ano, frente um horizonte que se vislumbra pleno de incertezas, ora vivenciado pela sociedade nacional iludida por propostas mais que mirabolantes, a exemplo – dentre várias outras -, da enganação estampada com o fantasioso nome de “Brasil, Pátria Educadora”.

É elementar que a ninguém é permitido planejar, de forma adequada, sem reflexões; no Brasil, executa-se sem planejamento, sem obediência ás suas regras mínimas e, por vezes, desobedecendo-se ao império das leis e dos princípios nelas contidos que poderiam gerar, ao final, bem estar e qualidade de vida. Bom, por serem desnecessários mais comentários, os resultados estão aí, com os tortuosos acontecimentos nacionais, aliados à desconfiança e ao descrédito internacionais!

Já ao início deste ano, ouviu-se o brado retumbante: a educação alardeada como a prioridade das prioridades, no slogan “Brasil, Pátria Educadora”. Logo a seguir, a inconsequência e a contradição de quem, negando o próprio discurso, subtrai os meios indispensáveis (cortes e contingenciamentos de recursos) para que a mesmíssima educação atingisse os objetivos a que se propunha! Absurdamente esqueceram: quem dá a missão, dá os meios!

A educação superior brasileira, conforme o Censo da Educação Superior 2013 do MEC, apresentava mais de 7.300.000 alunos matriculados em 2.391 instituições, com cerca de 32.000 cursos de graduação, além de outros 200.000 alunos na pós-graduação, observando-se que do total 71,4% estavam matriculados em instituições privadas. Por outro lado, há pouco mais de 10 anos, conforme dados do Censo Escolar do Inep de 2003, estavam matriculados 57 milhões de alunos da pré-escola ao ensino médio, registrando que do total de matrículas efetivadas 87% estavam nas escolas públicas o que significava à época, aproximadamente, l/3 da população do País.

Em face da grandeza desses números, reconhecidamente já desatualizados pela dinâmica sócio-populacional brasileira, qual o balanço antevisto pelos interessados à causa da verdadeira educação e não àquela anteriormente propalada em discurso aos quatro ventos, mas, sim, a que está presente no espírito e coração dos educadores deste Brasil ainda “Deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo”?!

A Educação transformadora remete à sua oferta abrangente, qualificada e socialmente integradora, o que faz supor redefinir-se a prioridade educacional em função de sua grandeza e das ações dos autores sujeitos da sociedade brasileira, o que requer para tanto a conjugação do verbo participar no presente e no futuro, organizando-se o ensino e a aprendizagem em função do desenvolvimento integrado do País.

Participar do planejamento e das instâncias executivas da Educação passou a ser uma exigência da cidadania, não apenas pelos exemplos indesculpáveis dos que têm representado (muito mal) a sociedade brasileira e que não cumprem suas obrigações. Basta, para tanto, permanecer atento ao que ocorre no País e, se necessário, chamá-los à responsabilidade para as devidas correções de rumo. Enfim, isto pode significar um novo começo para um digno fim, sob os augúrios de um felicíssimo Natal e profícuo Ano Novo!

 

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