Cometa

Pelas janelas, no sul do país sobressaía no céu escuro uma estrela cintilante. Não vi o
brilho do Neowise. É uma raridade e deve se repetir após seis milênios. Eu não estava no mundo no começou de sua trajetória. E muitas noites antigas avançaram na terra. A doce narcose indroduzida em nós pelo inatingível, fornece um recuo efêmero de emergências das necessidades vitais e não é bastante forte para nos fazer esquecer nossa miséria real com está pandemia. Estamos desprovidos da paz.

O Neowise não será visto por 67 gerações após a nossa. Ele levou consigo os olhos que me fitavam e não poderei mais lhe perguntar “como sou”?, e ele não poderá mais responder “você é você “. Significa que sua voz está parada numa garganta morta e que esta garganta será sepultada pelo tempo e distância.

Agora tem o céu apertado de estrelas com os escuros pelo meio – ocos que procuro preencher com minha verdade que já não sei se é verdadeira. Anestesiados com as seiscentas é cinquenta mil mortes ,neste mundo cinzento, onde a carência se destaca, com desemprego, fome e mortes, temos que continuar a ser cruéis, sem saber quem somos, até a sua volta neste futuro que não temos controle, pois já teremos partido para um universo desconhecido de nós e do cometa. O certo é que o relógio da vida irá continuar a bater até a eternidade dos tempos.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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