Bússola

Na época da escravidão, os cadáveres eram atirados no mar para serem imediatamente devorados pelos tubarões, eram mortes tão frequentes e em cifras tão grandes que fizeram com que esses grandes peixes mudassem suas rotas migratórios, passando a acompanhar os navios negreiros na travessia do oceano à espera dos corpos que seriam lançados sobre as ondas e lhes serviriam de alimento.

A bússola era sem dúvida os cadáveres, indicando o sentido a seguir. Que direção seguiremos? Mudaremos nossa rota com tantas mortes no mundo? Seguiremos o caminho da sensatez depois de tanta agonia? A maioria deseja se integrar numa natureza diferente desta que nos cerca, de crescer, de subir, mas a bússola não está indicando este caminho.

Na cabeça dos políticos existem muitas ideias misturadas, também contradições e medos e o futuro parece desconhecido. A ciência tenta iluminar o mundo com a façanha da sonda Osiris -Rex, da Nasa, que coleta pedaços de asteroide em movimento, buscando o ilimitado no que tem limites.

Mas é comum e perfeitamente natural que a nossa bússola humana esteja presa nas garras do medo, e nos tornamos conservadores e defensivos. Queremos nos sentir seguros, então nos apegamos a papéis que tenham regras e comportamentos previsíveis. A marca do mundo conservador é o da desconfiança. Olhando para à sua volta, você não verá mais o coronavírus, mas a dúvida. Há um grito, mais por desespero do que por esperança. Momentos como esse são possibilidades, minúsculos olhos mágicos para avançar, para seguir o exemplo da ciência, mas a alma humana é complexa e com as contradições do hoje a desarmonia pousou como uma sombra nas decisões do poder.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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